quinta-feira, setembro 13, 2007

cerco

ato 1:

em cada resto inoculto dobravam mil decibéis. ébria cissão entre o fora e o dentro, me esparramava com a boca enlameada sujando os seus tapetes. pouco me importava. era então ódio do começo ao meu fim, o deslizar secreto do que parece mais natural, os olhos passando pela sala, fixos nas garrafas vazias que serviam nosso banquete.
olhava intermitente o casal fuso nos sofás, flutuando na música altíssima e dissipada daqueles dias. era o ódio quem tornava tudo muito natural. olhava as garrafas - as garrafas são de vidro.
olhava para o casal - o amor que é de vidro.


ato 2:

então veio o sol e diluiu tudo na rubra aurora.

2 comentários:

Bruno disse...

Sabe, o Auri disse em suas fogosas aulas do primeiro colegial que o Sol é símbulo da razão e a Lua da emoção.
No dia, ao ardor do sol, tudo se ilumina, fica mais claro, mais objetivo e identificavel, mas aquele que fica no sol por muito tempo torra.

peixe disse...

a gente os manuseia com delicadeza profana dos amantes e das garrafas.