quarta-feira, junho 24, 2009

a ilha das quatro da tarde

O tempo é que faz a terra levantada pelas rodas do carro baixar ao chão novamente. O tempo de secar a lama da chuva. o tempo de lembrar, e o de esquecer.
giraram em falso um pouco as rodas desse carro que logo chegaria. trouxe consigo novidades do passado, alegrias passageiras.
os animais pressentiram a milhas. agitaram-se. entraram no lago como forma de anoitecer as emoções.
o instante do chegar era um instante perdido.
o sol lambia a encosta numa constante inclinação de fim de dia. os pés nos charcos de outros meses. outros animais perenes sutilmente nos dando a conhecer.
pouco se disse, e mesmo, pouco se fez.
entretanto aquele cheiro lento - aquele jeito de ser - embrenhou-se como marca cardíaca,
que dará ou em saudades,
ou em poesia.

Um comentário:

LUIS FERNANDO DE ASSIS disse...

Golpe de vento esse texto. Bonito, suave e rijo.