sexta-feira, março 05, 2010

clá

O barulho do silêncio tem sido insuportável.
E as cores
densas escuras.
E o peso.
E a dor.
Trocamos mensagens de silêncio,
mas eu lembro da sensação da primeira mensagem que te mandei.
Meu peito ficou desatento pro resto das coisas do mundo.
E depois de um tempo cantou baixinho.
Eu lembro de querer te ver e procurar.
E de ser um monstro.
e de ser incorreta com quem eu amava
(inclusive comigo mesma).

Eu lembro das coisas boas,
da sensação de liberdade de quando a gente começou,
das festas malucas e das pessoas legais,
lembro de não sentir cíumes.

Lembro também do abandono dos nossos amigos
e da tristeza.
Lembro de estar do seu lado no sofá,
duas agonias ainda pouco íntimas.

Lembro das descobertas dos nossos corpos,
a comunicação mais densa,
energia e telepatia,
o mar e a cor roxa.

Eu lembro menos de quando você não sentia mais nada me beijando,
ou quando ficavamos entediadas cada uma fazendo uma coisa.
Eu lembro mais de fazer qualquer coisa e não importar,
de passar um ano inteiro todos os dias do seu lado,
e pensar que você era a melhor companhia sempre.

Eu lembro de quando você ria e das bobagens que eu falava,
eu lembro de você bêbada,
eu lembro de você brava.

Eu lembro que pouco importava tudo porque a gente era junto.
Eu lembro de sentir o agora,
essa cor,
branca, leitosa,
que invadiu todos os poros da minha cabeça.
A existência solitária,
e um rufar intranquilo do peito que ainda bate,
o gosto estranho,
antigo e novo,
da palavra solidão.

3 comentários:

yo disse...

você tá menos sozinha sem migo.
você tá mais livre, mais viva, mais feliz. tem as incertezas, as tristezas, mas tem também essas coisas boas de lembrar. e que acolhem tanto..

aninha disse...

quando eu abro os olhos e lembro que não to mais com você parece que eu acordei dentro de um pesadelo.

yo disse...

as sensações ruins e desesperadoras passam, bicho.
vamos deixar ficar o bonito.
me ajuda.