quarta-feira, novembro 05, 2008

esmiuçar

não sei bem dizer porque quando sinto não é imaginando.
talvez um pouco,
mas é tão fora de mim que tudo se passa,
que talvez não esteja no direito.

talvez seja como uma praia amanhecendo,
amanhecendo sempre, sem nunca aparecer o sol,
só aquela luz atrás do morro,
tão forte que deixa tudo branco.

e o mar vem mansinho,
como que domesticado,
lamber os meus pés com sal.
aqueles sons do mar,
inclusive o silêncio,
indo e vindo e me dizendo da vida,
desse ritmo indeciso de termos de ir cumprindo.

nessa praia meio claro meio escura não tenho rosto.
nem rosto nem eu,
ainda só aquele antigo hábito de continuar existindo.
nem forma
nem conteúdo.

acho que em todos os lugares onde eu to,
eu to muito mais vezes nessa praia.
têm o silêncio e tem a solidão,
e tem tudo muito bem explicado sem palavras,
só amplidão.
essas coisas nos dizem tão bem.

então eu mergulho numa escuridão profunda,
e isso é abrir os olhos e ver que continua ali,
esse dejeto que sabe muito pouco,
com tantas pessoas acostumadas a calar a vontade,
e de aceitar como natural a convenção,
e como excessão a natureza.

novamente eu acordo,
me sinto mais triste e mais só.
me sinto mais cega e mais sã.
em mim quase tudo me repete.
minha alegria é ter um corpo.

Um comentário:

juba disse...

minha alegria é ser um corpo.