E de repente com o milton nascimento no meu colo,
eu me senti em casa em Pamplona.
Vai entender.
sexta-feira, fevereiro 12, 2016
terça-feira, fevereiro 09, 2016
sobre touros e outras moléstias
Levei as tesouras da cozinha, sujas, mas afiadas, para a habitação.
A falta de janela mirava com seriedade a minha tentativa patética de criar uma vida.
Todos os dias, a cama, desarrumava e depois eu arrumava.
Por que todos os dias voltar a fazer a ação que pedirá a ação contrária e assim por diante numa cadeia sem sentido?
No mínimo faço 3 refeições por dia. E durmo 8 horas, 10 se possível. Em alguns lugares meu apelido é marmota. Gasto um terço do meu dia nesse exercício exagerado, e muitas vezes, quando desperto, não chego a entender o que de mais importante teria a fazer.
Uma mistura de depressão, estupidez e normalidade, acho.
9 de febrero, mais um dia comum. Tirando o fato de que estou em Pamplona, onde parece que houve ou há alguma paixão em machucar animais, e eles falam uma lingua que não parece em nada com nenhuma outra. Tirando o fato de que não nos falamos. A partir disso surge uma espiral de imagens sem nenhum outro nexo que um certo aperto.
Trouxe as tesouras para o quarto. Ela é uma perfeita metonímia dessa casa de homens. Funciona, mas está sempre suja. Fica ali do lado do secador de louça, numa área que parece feita de sobreposições de poeira arqueologica. Desde o século XIX. Trouxe as tesouras para o quarto, não sei se com coragem ou pura e dura burrice. Ali eu preparo a bolsa com os pequenos presentinhos para te mandar. Cartas de muitas datas, carinhos insignificantes em forma de chocolate, alcool e papel. Recordações já meio nebulosas de ingressos de cinema usados. Tudo feito com cuidado, como se o amor se transportasse não no significado de cada coisa, mas numa qualidade invisível, porém palpável, criada nesse ritual de preparação. Eu trouxe as tesouras. Quando você estava aqui tiramos uma foto juntas naquelas máquinas cafonas. Os flashs começaram a bater, e não sabiamos muito bem o que acontecia. Ao final nos beijamos, algo entre performance e documentário. Com as tesouras eu separei o nosso nós despistado, do nosso nós nos beijando. Coloquei a foto em que estavamos com cara de perdidas na sua bolsa. Você preferia essa, mas mesmo assim, me senti sugerindo algum tipo de coisa, que agora, 15 dias depois, sinto receber a fatura.
Ontem você recebeu meu pacote. Eu pedi para o meu pai, sem dizer palavra, que ele demorasse mais. Queria esperar um tempo em que você pudesse aproveitar o amor que tenho por você, com amor de você para mim. Ele não me ouviu, talvez por imaginar que na verdade eu tinha uma pressa que não estava ali.
Você me mandou algumas mensagens. Alguns emoticons. Emoticons são as sementes transgênicas dos amores modernos. Frases também. Não senti nenhuma pulsação em nada. Claro que te deixava feliz. Quem não ficaria feliz com um pacote desses recebido numa manhã de ressaca? Mas não foi uma alegria o suficiente forte para te mobilizar a me ligar, a demonstrar qualquer outra coisa, a transponer a linha opaca do bom senso. Eu aqui esperei. Esperei o inverno surpreender uma primavera, e me frustrei, contida, com o frio que continuava ali.
Não sei o que você achou das fotos. Não chegou a me dizer. Próxima coisa foi para um bloco de carnaval se perder, e depois numa viagem sem sinal, sem sinal. Fade out estupido de um amor que teria mais para dar.
Em pamplona não há carnaval. Aqui as coisas abrem do meio dia as duas. Depois das 7 as 9. E nos outros horários todos dormem. Cidade fantasma cheia de chuva, frio. De praças abertas onde o vento aproveita a corrida. Pintxos e corridas de touros. Hoje vi cinco filmes, li, editei videos, escrevi como há muito tempo. Talvez tenha sido um dia bom. Chorei escondida no escuro do festival de documentarios. Como um trabalho, de limpar o dentro da suciedade da tristeza. Os filmes acabam. Recomeçam. São como estrelinhas também, confundidas e fudidas nessa galaxia sem sentido que participamos. As vezes te busco em alguma alegria. Busco nas nossas mensagens algum amor. Não encontro nada no último mês, frases como "encarar o desejo por outras pessoas de frente" terminam de fustigar. Saio do cinema começa a chuviscar.
As vezes olho o celular. Antigamente ele não existia, e isso me acalma. Você nada diz todo o dia, e mesmo que eu saiba, teimo em olhar.
Eu tampoco digo nada, e a suspeita de que talvez pela primeira vez o amor tenha diminuido e não seja mais o hércules insensato que segura o meu despreparo e o seu egoismo, faz com que saltem gotas em todo meu rosto. Agora já não há escuridão, a coragem necessária do dia claro dá medo e coragem.
A falta de janela mirava com seriedade a minha tentativa patética de criar uma vida.
Todos os dias, a cama, desarrumava e depois eu arrumava.
Por que todos os dias voltar a fazer a ação que pedirá a ação contrária e assim por diante numa cadeia sem sentido?
No mínimo faço 3 refeições por dia. E durmo 8 horas, 10 se possível. Em alguns lugares meu apelido é marmota. Gasto um terço do meu dia nesse exercício exagerado, e muitas vezes, quando desperto, não chego a entender o que de mais importante teria a fazer.
Uma mistura de depressão, estupidez e normalidade, acho.
9 de febrero, mais um dia comum. Tirando o fato de que estou em Pamplona, onde parece que houve ou há alguma paixão em machucar animais, e eles falam uma lingua que não parece em nada com nenhuma outra. Tirando o fato de que não nos falamos. A partir disso surge uma espiral de imagens sem nenhum outro nexo que um certo aperto.
Trouxe as tesouras para o quarto. Ela é uma perfeita metonímia dessa casa de homens. Funciona, mas está sempre suja. Fica ali do lado do secador de louça, numa área que parece feita de sobreposições de poeira arqueologica. Desde o século XIX. Trouxe as tesouras para o quarto, não sei se com coragem ou pura e dura burrice. Ali eu preparo a bolsa com os pequenos presentinhos para te mandar. Cartas de muitas datas, carinhos insignificantes em forma de chocolate, alcool e papel. Recordações já meio nebulosas de ingressos de cinema usados. Tudo feito com cuidado, como se o amor se transportasse não no significado de cada coisa, mas numa qualidade invisível, porém palpável, criada nesse ritual de preparação. Eu trouxe as tesouras. Quando você estava aqui tiramos uma foto juntas naquelas máquinas cafonas. Os flashs começaram a bater, e não sabiamos muito bem o que acontecia. Ao final nos beijamos, algo entre performance e documentário. Com as tesouras eu separei o nosso nós despistado, do nosso nós nos beijando. Coloquei a foto em que estavamos com cara de perdidas na sua bolsa. Você preferia essa, mas mesmo assim, me senti sugerindo algum tipo de coisa, que agora, 15 dias depois, sinto receber a fatura.
Ontem você recebeu meu pacote. Eu pedi para o meu pai, sem dizer palavra, que ele demorasse mais. Queria esperar um tempo em que você pudesse aproveitar o amor que tenho por você, com amor de você para mim. Ele não me ouviu, talvez por imaginar que na verdade eu tinha uma pressa que não estava ali.
Você me mandou algumas mensagens. Alguns emoticons. Emoticons são as sementes transgênicas dos amores modernos. Frases também. Não senti nenhuma pulsação em nada. Claro que te deixava feliz. Quem não ficaria feliz com um pacote desses recebido numa manhã de ressaca? Mas não foi uma alegria o suficiente forte para te mobilizar a me ligar, a demonstrar qualquer outra coisa, a transponer a linha opaca do bom senso. Eu aqui esperei. Esperei o inverno surpreender uma primavera, e me frustrei, contida, com o frio que continuava ali.
Não sei o que você achou das fotos. Não chegou a me dizer. Próxima coisa foi para um bloco de carnaval se perder, e depois numa viagem sem sinal, sem sinal. Fade out estupido de um amor que teria mais para dar.
Em pamplona não há carnaval. Aqui as coisas abrem do meio dia as duas. Depois das 7 as 9. E nos outros horários todos dormem. Cidade fantasma cheia de chuva, frio. De praças abertas onde o vento aproveita a corrida. Pintxos e corridas de touros. Hoje vi cinco filmes, li, editei videos, escrevi como há muito tempo. Talvez tenha sido um dia bom. Chorei escondida no escuro do festival de documentarios. Como um trabalho, de limpar o dentro da suciedade da tristeza. Os filmes acabam. Recomeçam. São como estrelinhas também, confundidas e fudidas nessa galaxia sem sentido que participamos. As vezes te busco em alguma alegria. Busco nas nossas mensagens algum amor. Não encontro nada no último mês, frases como "encarar o desejo por outras pessoas de frente" terminam de fustigar. Saio do cinema começa a chuviscar.
As vezes olho o celular. Antigamente ele não existia, e isso me acalma. Você nada diz todo o dia, e mesmo que eu saiba, teimo em olhar.
Eu tampoco digo nada, e a suspeita de que talvez pela primeira vez o amor tenha diminuido e não seja mais o hércules insensato que segura o meu despreparo e o seu egoismo, faz com que saltem gotas em todo meu rosto. Agora já não há escuridão, a coragem necessária do dia claro dá medo e coragem.
domingo, janeiro 24, 2016
acontece um horror.
na minha tristeza uma solidão acotovela
algum tipo de ruim,
que se instala.
cinza denso num cotiadiano disperso.
hoje ocorreu uma cena feia.
a amiga carregando pelo cabelo a outra.
na hora do descuido, da fragilidade, da verdade,
a outra na dureza explicita.
que coisa crua, explicita.
me encheu de briga e de saudade,
de crueza e sanidade.
pensei...
dessa não quero ser mais amiga.
e me lembrei da minha propria sensação de solidão.
afundada. exorcismo. areia movediça, tempo: construção.
na minha tristeza uma solidão acotovela
algum tipo de ruim,
que se instala.
cinza denso num cotiadiano disperso.
hoje ocorreu uma cena feia.
a amiga carregando pelo cabelo a outra.
na hora do descuido, da fragilidade, da verdade,
a outra na dureza explicita.
que coisa crua, explicita.
me encheu de briga e de saudade,
de crueza e sanidade.
pensei...
dessa não quero ser mais amiga.
e me lembrei da minha propria sensação de solidão.
afundada. exorcismo. areia movediça, tempo: construção.
quarta-feira, agosto 05, 2015
abundancia e medo
agosto é pleno verão. as axilas se compadecem de mar. caracóis vislumbram os olhos das pessoas.
vermute com campari. a perna direita da mulher que já não é mais. o gosto adstringente da comida asiática.
abundância e medo.
vermute com campari. a perna direita da mulher que já não é mais. o gosto adstringente da comida asiática.
abundância e medo.
segunda-feira, março 23, 2015
soslaio
eu sei que ela olhou para aquela pedra parada no meio de tudo - montanha mata medo - e pensou no meu rosto. por que estavamos naquela fase em que qualquer superficie é matéria projetiva bastante, e não basta trocar calores afetos umidades languidas.
queremos mais, marcas de quase sangue na pele, um sapato emprestado, olhar de lado, beijo no soslaio da boca.
queremos mais, marcas de quase sangue na pele, um sapato emprestado, olhar de lado, beijo no soslaio da boca.
sexta-feira, março 20, 2015
encosta
a encosta anoitecia pelas beiradas.
o vento salgado crispava o resto
de sol,
acossando a sul.
o barulho umido de mata atlantica,
os jaburus, besouros inofensivos,
peixes, filhotes de peixes.
o lusco fusco é o quando
se o tempo para.
ou liberta
ou prende.
nas matizes do bem azul
ao rosa laranja e escuridão.
esperei o dia todo no sol.
a pele curtida.
atritada no vão das pedrinhas de areia,
pontilhão de quenturas emancipadas.
a pele a noite vibra
calores passados.
ela veio somente no parar do tempo.
trazia uma pequena canoa nas costas
vagarosa e vasta.
quando chegou ao meu lado
depositou a embarcação na beira mar
e sorriu
como que dizendo - é sua.
a canoa era toda beirada
e o fundo era o próprio mar.
não seria capaz de levar a lugar algum.
olhei para seus olhos de novo.
sua calma mordiscava a pontinha dos meus dedos.
era de outra travessia
ela dizia.
então demoramos ali,
esperando o inimaginável
que poderia nos demover
do durar
que ela cavou para nós.
sábado, novembro 01, 2014
sexta-feira, outubro 31, 2014
quinta-feira, outubro 30, 2014
mulher o que é
que mulher seja tudo:
em ventania
não existe direção.
ou não seja alguma coisa:
ar parado
não se pega com a mão.
se mulher é algo
eu sei,
mulher no mar
é contramão.
em ventania
não existe direção.
ou não seja alguma coisa:
ar parado
não se pega com a mão.
se mulher é algo
eu sei,
mulher no mar
é contramão.
sexta-feira, outubro 24, 2014
parada
meu sangue arde parado em qualquer esquina do meu corpo
formiga grita queima
meu pé esquerdo parece um peixe morto
meu direito respira.
quarta-feira, outubro 22, 2014
quinto metatarso
O vento aconselha com suas patas de ar,
Sussurra (cem) palavras no meu ouvido
O meu osso
Me olha discretamente
Acha voar tolice.
segunda-feira, outubro 20, 2014
xerez
As vezes no silêncio me esqueço de você.
A escuridão entra por todas as frestas da sala.
Meu coração sentado na poltrona
espreme flores e bebidas fortes.
espreme flores e bebidas fortes.
sábado, agosto 02, 2014
pássaros e outras bestas
vôo.
depois do calor súbito que dá
a ausência de vento sobre a pele
a sua carne me inunda uma tristeza.
de longe te vejo
outras alegrias
e a minha nossa alegria
virando um pássaro pequeno
e apequenando
pequenando
até virar sósonho.
domingo, junho 29, 2014
pé
minha alma sempre voou pelo extase,
nas ondas de uma paixão dilacerante,
das alteridades dos estados,
nas praias impossíveis desse brasil.
agora está com saudades
desse vôo calmo que aprendeu,
distinguindo as alturas,
voar sem perder o pé.
nas ondas de uma paixão dilacerante,
das alteridades dos estados,
nas praias impossíveis desse brasil.
agora está com saudades
desse vôo calmo que aprendeu,
distinguindo as alturas,
voar sem perder o pé.
terça-feira, maio 20, 2014
nascente
mentiras esculpidas no seio da saudade,
são suas idiossincrasias que vem me saudar.
do longe fomento essa solidão repleta
com fatos delicados costurados em linha branca.
ficções e outras prosas corrompem
o fio infame da verdade
porém inflam de ar quente
o ventre tardio do querer.
e se no meio da tarde
rompe
a linha tenue
que desenhei
entre eu e você
e me entrega
embrulhados
os fatos todos inventados
em papel jornal
ai o amor desabrocha
como a água explode
de dentro da terra
sem avisar ninguém.
são suas idiossincrasias que vem me saudar.
do longe fomento essa solidão repleta
com fatos delicados costurados em linha branca.
ficções e outras prosas corrompem
o fio infame da verdade
porém inflam de ar quente
o ventre tardio do querer.
e se no meio da tarde
rompe
a linha tenue
que desenhei
entre eu e você
e me entrega
embrulhados
os fatos todos inventados
em papel jornal
ai o amor desabrocha
como a água explode
de dentro da terra
sem avisar ninguém.
quarta-feira, maio 07, 2014
frieza
o gelo bem fino que se rompe se parece com vidro,
mas corta de frio e não de ponta.
o gelo que vira água
e escorre pelo seu corpo que é quente,
seu corpo que muda,
mas que é sempre mais quente que o gelo,
mesmo triste,
mesmo louco.
o gelo que dói a pele.
o gelo que emprazera o calor.
o gelo na sua bebida.
o gelo entre nós.
derretendo.
nas nossas peles quentes.
sempre mais quentes que o gelo.
mas sempre a derreter.
como se também o frio fosse infinito.
e nós duas estivessemos para sempre presas
nessa geleira escaldante, desértica, infernal.
mas corta de frio e não de ponta.
o gelo que vira água
e escorre pelo seu corpo que é quente,
seu corpo que muda,
mas que é sempre mais quente que o gelo,
mesmo triste,
mesmo louco.
o gelo que dói a pele.
o gelo que emprazera o calor.
o gelo na sua bebida.
o gelo entre nós.
derretendo.
nas nossas peles quentes.
sempre mais quentes que o gelo.
mas sempre a derreter.
como se também o frio fosse infinito.
e nós duas estivessemos para sempre presas
nessa geleira escaldante, desértica, infernal.
terça-feira, abril 29, 2014
gêneros
mulher,
a delicadeza da terra se abre na chuva,
e o prazer dilacerante
de ser semeado.
mulher é coisa subversiva. é calma onde a lingua é fúria. é tufão onde o acordo é tácito.
mulher é charme indivisivel, sutileza de éolo em cabelo,
praia lunar do corpo nu.
mulher é saudades de todas mulheres.
pois mulher é coisa inapreensível.
pertence somente a si mesma.
homem é certeza calma.
é tronco de árvore
não é a água que brota do chão (mulher)
mas é as folhas que nela navega.
ser mulher é uma questão de poesia,
não de corpo.
ser -se homem é questão de alegria,
contemplação da mulher,
e de outras prosas poéticas.
a delicadeza da terra se abre na chuva,
e o prazer dilacerante
de ser semeado.
mulher é coisa subversiva. é calma onde a lingua é fúria. é tufão onde o acordo é tácito.
mulher é charme indivisivel, sutileza de éolo em cabelo,
praia lunar do corpo nu.
mulher é saudades de todas mulheres.
pois mulher é coisa inapreensível.
pertence somente a si mesma.
homem é certeza calma.
é tronco de árvore
não é a água que brota do chão (mulher)
mas é as folhas que nela navega.
ser mulher é uma questão de poesia,
não de corpo.
ser -se homem é questão de alegria,
contemplação da mulher,
e de outras prosas poéticas.
segunda-feira, abril 14, 2014
leviatã
quem me avisou foi ele.
a noite pingava as horas gota por gota na minha xícara de café
e ele precisou gritar para que eu entendesse.
graças a deus o dia começar a nascer
e essa é sempre uma prova,
por mais estranho que tudo esteja,
que as coisas estão sempre preparadas para mudar.
ele gritou meu nome em ondas de tinta.
verde e violeta escuro.
eu não cheguei a entender
quando ele começou a vomitar
os contornos,
as hachuras,
as texturas.
ele disse calma e simplesmente que talvez não fosse o suficiente.
eu não chorei.
essa época eu já não chorava mais.
aguentava estoica as poucas certezas da vida.
as certezas dificeis.
eu não lembro direito o que eu fiz.
acho que gritei para ela vai a merda.
gritei pela mediocridade do seu corpo nesse mundo.
pela dança pouca merda que ela propunha naquela noite sem sal nem frio.
ele me compreendeu.
o pior é que sempre me compreendia.
no mar da total incompreensão partimos.
ainda não sei para onde.
o mar causa nausea.
apaga o fogo discreto de qualquer esperança.
ele sequer pega minha mão.
diz que pode cultivar receios.
de mim ele espera coragem de aço.
e eu tento entregar.
não sei se estamos a caça de um leviatã.
a embarcação parece ébria.
e espero.
a noite pingava as horas gota por gota na minha xícara de café
e ele precisou gritar para que eu entendesse.
graças a deus o dia começar a nascer
e essa é sempre uma prova,
por mais estranho que tudo esteja,
que as coisas estão sempre preparadas para mudar.
ele gritou meu nome em ondas de tinta.
verde e violeta escuro.
eu não cheguei a entender
quando ele começou a vomitar
os contornos,
as hachuras,
as texturas.
ele disse calma e simplesmente que talvez não fosse o suficiente.
eu não chorei.
essa época eu já não chorava mais.
aguentava estoica as poucas certezas da vida.
as certezas dificeis.
eu não lembro direito o que eu fiz.
acho que gritei para ela vai a merda.
gritei pela mediocridade do seu corpo nesse mundo.
pela dança pouca merda que ela propunha naquela noite sem sal nem frio.
ele me compreendeu.
o pior é que sempre me compreendia.
no mar da total incompreensão partimos.
ainda não sei para onde.
o mar causa nausea.
apaga o fogo discreto de qualquer esperança.
ele sequer pega minha mão.
diz que pode cultivar receios.
de mim ele espera coragem de aço.
e eu tento entregar.
não sei se estamos a caça de um leviatã.
a embarcação parece ébria.
e espero.
sos
Domingo a noite. Suspeito pra falar. Domingo é um dia que nasceu sem testa. Um dia esquisito. Que não segue as regras desse mundo besta em que tudo é dever ou prazer. Domingo não é nada disso. E a negada fica perdida. Hoje acordei meio na desilusão. Sensação de que as coisas em que acredito vão morrendo devagarinho. Brutal mesmo. Como um gato preso dentro de uma casa em que a água e a comida estão pra acabar.
Inspiro um ar cheio de uma coragem que invento, e adianta. Pouco, mas adianta.
Eu acredito na coragem. Na honestidade. Na tentativa. Eu acredito na alegria. Sem duvida. Acredito no amor. Acredito que tem um fluxo suave e gentil capaz de levar tudo e todos para um lugar bacana.
Acredito que ser verdadeiro sempre vale a pena.
Não tem valido. Pelo menos é o que me parece. Talvez seja a longo. Mas longuissímo mesmo prazo. Por que por enquanto, nada. Muitos babacas pegando o atalho. Muitas respostas a pequenas sinceridades com arrotos de mesquinharia. E eu, sei lá. Me sentindo perfeitamente sozinha aqui no meio dessa multidão. Na verdade acho que sempre me senti. Foram com poucas pessoas na minha vida que me senti em casa. Dez. Por aí.
To meio dessa descrença total fico esperando qualquer ruído, qualquer luz intermitente. Qualquer zumbido que possa denunciar hippies loucos, ets, galera do futuro. Qualquer pessoal mais bacana que possa vir aqui me resgatar.
Inspiro um ar cheio de uma coragem que invento, e adianta. Pouco, mas adianta.
Eu acredito na coragem. Na honestidade. Na tentativa. Eu acredito na alegria. Sem duvida. Acredito no amor. Acredito que tem um fluxo suave e gentil capaz de levar tudo e todos para um lugar bacana.
Acredito que ser verdadeiro sempre vale a pena.
Não tem valido. Pelo menos é o que me parece. Talvez seja a longo. Mas longuissímo mesmo prazo. Por que por enquanto, nada. Muitos babacas pegando o atalho. Muitas respostas a pequenas sinceridades com arrotos de mesquinharia. E eu, sei lá. Me sentindo perfeitamente sozinha aqui no meio dessa multidão. Na verdade acho que sempre me senti. Foram com poucas pessoas na minha vida que me senti em casa. Dez. Por aí.
To meio dessa descrença total fico esperando qualquer ruído, qualquer luz intermitente. Qualquer zumbido que possa denunciar hippies loucos, ets, galera do futuro. Qualquer pessoal mais bacana que possa vir aqui me resgatar.
terça-feira, abril 01, 2014
um homem com uma dor....
uma dor que existe penso que existe. porque existindo doi. e então se doi. é por que existe.
uma dor que existe não é libertação.
libertação é uma dor ir deixando de existir.
mas toda dor por ter sido dor continua existindo um pouquinho.
ou toda dor por ter fim
também é um pouco uma dor não existente.
uma dor sente-se onde?
no corpo.
principalmente.
mas também em outros lugares.
acredito em tudo a principio.
essa dor doi no timo.
mas reflete na barriga.
dá choque antes da dor doer.
e parece que meu corpo gira que nem um saca rolha.
acho que a rolha que sai é a minha vida comum
que não deixa a dor doer.
por que deixar dor doendo é coisa de gente besta meu deus.
podia sair vinho.
mas não sai.
fica saindo uma angustiazinha.
uma tristeza.
um negocinho cinza
e não sei o que fazer com ele.
a raiva eu acalmo.
não tem nada que ver.
a tristeza eu remedio.
a dor eu passo.
eu passo por ela,
mas ela não passa por mim.
se esconde.
e a cada terceira quarta feira do mês explode nas minhas mãos.
acho que todo mundo doi.
deve ser.
mas vamos deixar isso pra lá.
uma dor que existe não é libertação.
libertação é uma dor ir deixando de existir.
mas toda dor por ter sido dor continua existindo um pouquinho.
ou toda dor por ter fim
também é um pouco uma dor não existente.
uma dor sente-se onde?
no corpo.
principalmente.
mas também em outros lugares.
acredito em tudo a principio.
essa dor doi no timo.
mas reflete na barriga.
dá choque antes da dor doer.
e parece que meu corpo gira que nem um saca rolha.
acho que a rolha que sai é a minha vida comum
que não deixa a dor doer.
por que deixar dor doendo é coisa de gente besta meu deus.
podia sair vinho.
mas não sai.
fica saindo uma angustiazinha.
uma tristeza.
um negocinho cinza
e não sei o que fazer com ele.
a raiva eu acalmo.
não tem nada que ver.
a tristeza eu remedio.
a dor eu passo.
eu passo por ela,
mas ela não passa por mim.
se esconde.
e a cada terceira quarta feira do mês explode nas minhas mãos.
acho que todo mundo doi.
deve ser.
mas vamos deixar isso pra lá.
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