quarta-feira, julho 15, 2009

obsessão

aos poucos se tornou uma obsessão.
No início parecia simplesmente uma boa idéia, parecia condizer com aqueles momentos ríspidos pelos quais passava, com o simbolismo liquído e moroso de sua emoções. No início era apenas a fluidez da água que a encantava, o resguardo da civilização moderna pelo fluxo da vida e da água. Para tanto ela enchia sua imaginação com canos de pvc, com tintas escuras, caminhos intermináveis de lã e fibra ótica. A imaginação cobrindo os quilometros inúteis dos muros das cidades.

Tornou-se uma obsessão quando ela deixou de compreender que a água é fluxo, e portanto puro movimento. Com seus signos mutáveis esqueceu a lembrança de que tudo é mudança, e que isso quem faz é o tempo.

Hoje as tintas escuras dos seus canos evaporaram, transformadas pelo tempo e pela água em uma estranha formação escura e densa, chamada Nuvem Negra.

4 comentários:

Maria Negrão disse...

Você nunca entendeu que era justamente a tristeza de se estar sempre de passagem, fluindo sem sossego. Era por isso que existiam os trabalhos, porque essa sempre foi minha maior dor. Não conseguir acalmar o liquido negro em qualquer superficie. E que tudo aquilo, o tempo e o fluxo, eu já conhecia de cor nas dores das despedidas e no medo de confiar.

Maria Negrão disse...

E o que mais encantava era linha firme e perfeita que se formava quando só, mas que infelizmente não se sustentava no tempo e se atraia de novo por outra forma vazia que a deixaria cair fazendo do fluxo uma eterna busca.

Maria Negrão disse...

mas se ainda escorre ainda pode haver algo que a segure.

Ládentro disse...

infinitamente...