quarta-feira, julho 08, 2009

tristeza

em algum lugar dentro de mim eu atravesso ruas sujas, escuras, úmidas.
vozes me chamam de dentro de quartos escusos, com lamparinas chinesas e pernas de fora. um gato, ou dois, cruzam meu caminho
- sei que são como eu, e que essas ruas para eles também são invisíveis. por vezes ouço rabichos de música que gostaria de continuar ouvindo, mas vejo astros na noite que me guiam.
por vezes me esqueço e entro num quarto branco. uma mão me anoitece os olhos e deito nua. sinto umas cócegas largas, mornas, no ventre. são minhas irmãs que me trazem notícias da ática, ninando um sono que não virá.
nesses dias lembro às vezes do teu rosto. a sua pele é delicada e me faz chorar. quando te lembro tenho uma vontade imensa de receber cartas.
mas sei que nessas ruas que ando não há endereço,
solidão e tristeza como casas sem número,
textos sem direção.

2 comentários:

Maria Negrão disse...

você tem escrito cada dia melhor

factotum disse...

Ana... Acho que é você mesma...

Bicho. Tava com uns amigos em casa esses dias e um deles quis me mostrar um blog. Qual a surpresa? Era o seu. Decidi ler e digo que tinahm razão em dizer que escreve delícias.


beijos. grandes.

Sam