quarta-feira, março 30, 2011
Je suis folle
domingo, março 27, 2011
julia
saturno
sexta-feira, março 25, 2011
voar
quinta-feira, março 24, 2011
estória
quarta-feira, março 16, 2011
lobinho-guará
terça-feira, março 15, 2011
ódio
sexta-feira, março 11, 2011
o pé
purgatório
Eram anjos azuis. Eles dançavam zonzos com os olhos tortos, embasados um dentro do outro. Eram anjos tortos. Suas mãos escorriam entre os copos de água forte. Seus pés escorriam. O suor escorria por seus corpos inteiros, limpando, limpando. A cada volta ali corpos branco e moreno rodando contra a escuridão de um chão sem luz algo se deixava. Voltava a volta, a mãe se ia, volta ia volta, ia-se o bairro, volta que dá, o pudor, o sapato. Ali atração e repulsão - ciranda. O braço dele ia e puxava de volta, o olhar fissurava, a perna dele recortando, os cabelos também dançando. Ali imersão de suas juventudes, nada mais haveria de haver, exceto os dois, girando, gostando, cada vez mais. Era por isso possível se entregar, o instante era largo, o imediato cabia exato (dentro do eterno).
A música é que levava os dois. As vezes morria, e eles se entreolhavam assustados, como se também fossem morrer. E então recomeçava, inflando as mesmas cores, os mesmos ares. O corpo deles era forte, e aguentava resistentemente a noite. Lá fora havia mar. Lá fora havia lua, havia maré. A areia também chamava a água salgada, fazendo deles parte de tudo. O rosto deles quase encostava, o pulso pedia distância, a barba roçava, o braço caia. Ia e vinha, com cada vez mais vontade, os corpos fortes, a água, o suor, a praia, o vento sul.
Já não tinha mais ninguém na pista.
O vazio em volta deles se difundindo como os desertos que nunca param de crescer. De fora na varanda, os outros olhavam. Fingiam conversar. Perdidos entre copos de vinho, canapés e banalidades. Eles fingiam não olhar. Fingiam não enxergar dois homens lindos, fingiam não se incomodar. Era belo e perfurava seus olhos, cortava em pedaço suas invejas. Eles dançavam, e eram lindos. Como anjos tortos. Como anjos azuis.
E essa imagem se repetia a cada gole. No copo, azulado, os beijos eram acrescidos de gemidos suaves. As ondas iam e sempre voltavam, sem ritmo, mas com intensidade. Aos poucos, a tentativa de fixar o olhar, o tornava mais embaçado ainda. E, pela tontura, pelo enlevo, pela primeira vez na vida, tomou coragem: agarrou a borboleta que tremulava as asas ao seu redor e foi beijando, devagar, cada pedacinho do corpo. Desde o peito até os pés.
Enquanto isso, um sol malemolente hesitava em aparecer no universo. Por ali, estrelas, astros e um imenso buraco negro acompanhavam os anjos azuis, os casulos se romperam e assim o tempo foi passando sem nada haver, apenas ser.
ana e sílvia c.
quinta-feira, março 10, 2011
re-sentir
quarta-feira, março 09, 2011
noite
carna
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
estate
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
vermelho
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
azul
terça-feira, fevereiro 22, 2011
sol
cheiro de escuro
placidez.
o gosto de sangue negro
por trás de todas as camadas de pele.
o cheiro de coagulo.
sim dá medo.
o gosto de poeira.
num dia meio morto,
num sábado meio morro,
o sol só me diz da sombra.
dá medo, sim dá medo.
o som das pessoas em casa
os vultos
quando é sábado e você está só.
o sol é forte e arrasta as sombras pela parede de casa.
mas não importa.
ainda dá medo,
sim, dá medo.
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
mar
barcelona
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
lisboa
segunda-feira, dezembro 27, 2010
silêncio outro
sábado, dezembro 25, 2010
travesseiro
algo próximo
algo novo.
cheiro denso de mata.
o agora sempre pronto,
a voz dele que se perde.
a voz dele que perpetua
visão mundo,
só não faz se não quiser.
sexta-feira, dezembro 24, 2010
agora
quinta-feira, dezembro 23, 2010
maré
domingo, dezembro 19, 2010
o marinheiro
mudo
sábado, dezembro 18, 2010
sexta-feira, dezembro 17, 2010
mistério
terça-feira, dezembro 14, 2010
re
segunda-feira, dezembro 13, 2010
re-ver-na-água-o-peixe
é assim que todo ano te vejo, e sinto, e resinto, e te amo pra sempre. é assim que pelo menos posso, ao invés de parar de escrever, escrever algo que talvez não seja poético, não seja literário, mas sincero e um pouco doce como eu costumava ser.
foto
sábado, dezembro 11, 2010
cromático
todas.
mas nenhuma delas sei.
dentro do dentro do dentro
é a quentura mais fria.
olhos vivos, no centro da alma, sem sou.
olho a tudo indiferente.
emoção descontrole,
nada afeta o afeto sem cor.
quarta-feira, dezembro 08, 2010
sagitário
gêmeos
segunda-feira, dezembro 06, 2010
novo
domingo, dezembro 05, 2010
lembrar
sexta-feira, dezembro 03, 2010
gravidade
sábado, novembro 27, 2010
como
quarta-feira, novembro 17, 2010
frutoprojeto
essa noite
Eram duas da manhã,
ou meia noite,
ou talvez já tivesse amanhecido.
Acordei com sua imagem colada nos meus olhos,
como antes a escuridão das pálpebras.
Eu nunca tinha te visto assim, na madrugada,
com esse rosto pálido.
Nunca tinha te visto em silêncio.
No meio da escuridão fiquei grata,
pela verdade do afeto ser outra que a dos fatos.
sábado, novembro 13, 2010
a tartaruga
nublou
quinta-feira, novembro 11, 2010
cfa
quarta-feira, novembro 10, 2010
poeira
zen
domingo, novembro 07, 2010
constelação
carro-boi
quarta-feira, novembro 03, 2010
agreste
terça-feira, novembro 02, 2010
estampa
sexta-feira, outubro 29, 2010
caverna boca úmida
terça-feira, outubro 26, 2010
músculo
segunda-feira, outubro 25, 2010
noite
vestido
poucomuito
terça-feira, outubro 19, 2010
olhos
domingo, outubro 17, 2010
agora
sábado, outubro 16, 2010
En
quarta-feira, outubro 13, 2010
tempo e espaço, corpo
domingo, outubro 10, 2010
quinta-feira, setembro 30, 2010
cheio de inferno e céu
terça-feira, setembro 28, 2010
no ceiling
domingo, setembro 26, 2010
exercício
sexta-feira, setembro 24, 2010
ótica
umbigo da humanidade,
uísque com muito gelo, ou gim.
entre a cruz e a espada está o ar,
h do homem barulho na garganta
que jorra e seca da água.
música ordenação possível - caos ou dialética
ordinário na beleza, sem julgamento possível.
a melhor interpretação é a alegria
fico com essa
mentira pode ser verdade
só por hoje
ficção é fazer
outro em mim
fim.
quinta-feira, setembro 23, 2010
Fazedor
segunda-feira, setembro 20, 2010
carne
sábado, setembro 18, 2010
si
sal
quinta-feira, setembro 16, 2010
marinheiro das horas inteiras
segunda-feira, setembro 13, 2010
médio ex
domingo, setembro 12, 2010
sorriso maroto
sábado, setembro 11, 2010
você
'je pense a toi'

Ciclos de pedra e areia entrando à beira do mar.
terça-feira, setembro 07, 2010
cinco minutos
domingo, setembro 05, 2010
sou
as palavras contidas na língua
prontas.
o corpo quente
jovem.
a curiosidade,
o gosto.
o sorriso
e o choro.
tudo
que chega inteiro a boca.
sexta-feira, setembro 03, 2010
cozinha
surplus
terça-feira, agosto 31, 2010
sonho
segunda-feira, agosto 30, 2010
eros
sábado, agosto 28, 2010
quarta-feira, agosto 25, 2010
ar
domingo, agosto 22, 2010
ciência
sábado, agosto 21, 2010
mim e eu, tributo egocêntrico a marilda, que tanto me desensinou na vida
desabafo amidalite
quinta-feira, agosto 19, 2010
11 de outubro de 2008
castelo de cartas
quarta-feira, agosto 18, 2010
domingo, agosto 15, 2010
doses pequenas
sábado, agosto 14, 2010
a toureira
quarta-feira, agosto 11, 2010
madona
segunda-feira, agosto 09, 2010
metástase
Deixa brotar vasto o sangue, sempre menos seu que do mundo.
para que o sangue também possa ser tinta.
domingo, agosto 08, 2010
azul
sono
sábado, agosto 07, 2010
triste recôncavo
quinta-feira, agosto 05, 2010
como não dar certo como um casal

quarta-feira, agosto 04, 2010
casa 8
domingo, agosto 01, 2010
ébrio breu
sábado, julho 31, 2010
a mulher
quinta-feira, julho 29, 2010
teo
domingo, julho 25, 2010
nhar
velvet undergroung
minas
sexta-feira, julho 23, 2010
tunika
quinta-feira, julho 22, 2010
quarta-feira, julho 21, 2010
cidade
desassossego
zanzibar
temperamento
segunda-feira, julho 19, 2010
segredo
a boca antecede o riso
num movimento leve e preciso.
as pálpebras fechadas,
a boca outonal
