terça-feira, agosto 31, 2010
sonho
segunda-feira, agosto 30, 2010
eros
sábado, agosto 28, 2010
quarta-feira, agosto 25, 2010
ar
domingo, agosto 22, 2010
ciência
sábado, agosto 21, 2010
mim e eu, tributo egocêntrico a marilda, que tanto me desensinou na vida
desabafo amidalite
quinta-feira, agosto 19, 2010
11 de outubro de 2008
castelo de cartas
quarta-feira, agosto 18, 2010
domingo, agosto 15, 2010
doses pequenas
sábado, agosto 14, 2010
a toureira
quarta-feira, agosto 11, 2010
madona
segunda-feira, agosto 09, 2010
metástase
Deixa brotar vasto o sangue, sempre menos seu que do mundo.
para que o sangue também possa ser tinta.
domingo, agosto 08, 2010
azul
sono
sábado, agosto 07, 2010
triste recôncavo
quinta-feira, agosto 05, 2010
como não dar certo como um casal

quarta-feira, agosto 04, 2010
casa 8
domingo, agosto 01, 2010
ébrio breu
sábado, julho 31, 2010
a mulher
quinta-feira, julho 29, 2010
teo
domingo, julho 25, 2010
nhar
velvet undergroung
minas
sexta-feira, julho 23, 2010
tunika
quinta-feira, julho 22, 2010
quarta-feira, julho 21, 2010
cidade
desassossego
zanzibar
temperamento
segunda-feira, julho 19, 2010
segredo
a boca antecede o riso
num movimento leve e preciso.
as pálpebras fechadas,
a boca outonal
xícara
jules e jim
domingo, julho 18, 2010
igby
evoé
sexta-feira, julho 16, 2010
tempo
deux
xxy
quinta-feira, julho 15, 2010
conhaque
terça-feira, julho 13, 2010
eledá
segunda-feira, julho 12, 2010
anoitecer
campo contra campo
domingo, julho 11, 2010
afogar
sábado, julho 10, 2010
anotações de caderno IV
anotações de caderno III
anotações de caderno II
anotações do caderno I
furgão
rain dogs
sexta-feira, julho 09, 2010
toda travessia
quarta-feira, julho 07, 2010
regasu
amnésia alcoólica
terça-feira, julho 06, 2010
mambembe
domingo, julho 04, 2010
sábado, julho 03, 2010
sorriso.
quinta-feira, julho 01, 2010
viúvo
terça-feira, junho 29, 2010
rito
véu
sábado, junho 26, 2010
tom zé
domingo, junho 20, 2010
sábado, junho 19, 2010
feminino
quarta-feira, junho 16, 2010
segunda-feira, junho 14, 2010
sábado, junho 12, 2010
telegrama
meditação
quinta-feira, junho 10, 2010
o que sobrou
É o bonito dela,
que me obriga a desviar o olhar.
A vida se põe óbvia na mesa:
é claro que é bonita
e que basta ser vivida.
O bom da vida,
o cheio,
vem de fechar os olhos,
e o corpo ir manso
nas correntes do estar.
Mas ela ainda é bela,
e há sempre algo que se perde.
Todos os dias na ausência,
algo que não viu o olhar.
Possibilidades que se perderam e se perdem.
Gotas de chuva escondidas nas gavetas ocultas,
do que não foi e não virá.
terça-feira, junho 08, 2010
Alice
Os seus olhos opacos
não guardavam espaço para universos.
Os livros e as viagens pareciam esquecidos.
Ela não sabia mais meu nome, penso.
Essa foi a primeira grande dor.
A segunda foi outro tipo de esquecimento,
quando o coração se torna um pouco míope,
para amores menos desenvolvidos.
A última vez que ela me viu,
embora eu já não tivesse nome,
ela sorrindo me enxergou.
Foi quando eu toquei violão na sala.
Nos encontramos no macio do instante.
E eu me tornei por mais uma vez sua neta,
afeto sem nome,
só calor.
Hoje quando a família uniu-se em ombros para ver seu rosto,
foi sob uma tristeza branca,
compreendendo a natureza da partida,
de morrer e viver,
- e que não há nada para compreender.
Seus olhos eram os mesmos,
sem vida.
Porém,
naquele objeto rarefeito que a nos se apresentava
havia algum tipo de luz
incomum nos mortos.
Era o nosso afeto.
De uma família inteira reunida
tecendo as memórias
para que se transformem em despedida.
segunda-feira, junho 07, 2010
domingo, junho 06, 2010
miserável
quinta-feira, junho 03, 2010
amor
Desconhecem a eficácia das ressacas marítmas, os gritos dados a noite na calada da solidão.
Os marinheiros de primeira viagem sorriem pela última vez. Estão condenados, homens e mulheres, a partir em viagem sem retorno, esperança de abandono. Quando entram na embarcação os olhos se enchem da maravilha do mundo, tomando todo o espaço da memória para lembrar como voltar.
Nunca voltam, os marinheiros de primeira viagem. Eles conhecem o segredo do mundo, e deles se tornam escravos e senhores.
índio
o homem de tromba de algodão,
muita sorte no bolso,
mas nenhum tostão.
as meninas acharam bonito,
sombra no olho que diz de mistério,
máscara indiana de dança e de sexo.
os meninos quiseram virar homens,
e pediram uma dose a mais
de cachaça
e coragem.
o dono do bar não gostou,
falou que atrapalha a paisagem,
que violão não podia,
atrapalhava a freguesia da rua vazia.
segunda-feira, maio 31, 2010
hepático
domingo, maio 30, 2010
sábado, maio 29, 2010
avacanoeira
vinho
quinta-feira, maio 27, 2010
na sala da minha cabeça
quarta-feira, maio 26, 2010
sim
a luz branca que emana dá um brilho estranho aos olhos.
se sinto esse calor que vem de você não sei...
se é por verdade que nessa cidade distante te sinto perto,
ou se quero
e acho que isso basta.
a verdade como sempre é crua:
não te vejo e do que te tenho é tudo pouco,
a imaginação nua
de um tempo que foi ou que virá.
pequena
terça-feira, maio 25, 2010
onírico
segunda-feira, maio 24, 2010
ressureição
domingo, maio 23, 2010
fusca sem freio
sábado, maio 22, 2010
quinta-feira, maio 20, 2010
quando drummond decide dizer por nós
"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
quarta-feira, maio 19, 2010
antes (que seja tarde)
Quando éramos jovens, na idade que o sol nascia para lá do começo das histórias, dançávamos para virar anjos, tentando perder os genitais pelo caminho.
Nunca pudemos virar outra coisa que não os jovens que dançavam e que se tinham olhos que brilhavam, era porque eles eram vazios. Do desejo de sermos anjos restou apenas a omoplata, guardando como vigia o lugar por onde sairá nossas asas, num dia nublado e sem desejo.
terça-feira, maio 18, 2010
estrela de seis pontas
segunda-feira, maio 17, 2010
frene
sexta-feira, maio 14, 2010
grito-luz
klimt
quarta-feira, maio 12, 2010
calor
segunda-feira, maio 10, 2010
Maria Schneider
agora
quarta-feira, maio 05, 2010
sobre fevereiros e pássaros
toada
Tudo era cheio de uma direção sem direção.
Era um piso reto de madeira,
um trilho de trem bem comportado.
Isso era dentro.
Como uma toada.
Era uma música sem alegria nem dor que seguia.
Acho que chamava o inexorável de viver.
Por fora era um corpo de devaneios.
O peito ardia quando entupia as saídas da tristeza,
os olhos se enchiam de medo quando algo parecia estar errado.
As coisas muitas vezes pareciam dar errado.
Todo mundo falava:
uma mesa de jantar cheio de cotovelos,
todos bebiam vinho e tinham batom vermelho
e cabelos pretos.
E todo mundo sabia o que era melhor e dizia.
Então estragava toda música,
porque achar não tem harmonia,
entender não dá samba.
O corpo perdido cheio de baton no rosto e vinho no peito e cotovelo nos cabelos pretos olhou
para o chão, para o lado, para o reto, para o ralo. Olhou o fora.
E continuou toada mesma.
Sem achar, nem entender, nem melhor pior ou se.
Tudo cheio
de uma direção sem direção.
egípcia
segunda-feira, maio 03, 2010
curva
des conhecer
domingo, maio 02, 2010
conveniente
astronauta
sussurrava baixinho segredos,
e os empurrava para debaixo da pele,
onde pudessem se esconder.
ela abria meu corpo num desenrolar suave de tato.
caminhávamos juntas numa espiral,
de arcos concêntricos, inclinação mediana,
em direção ao buraco negro do tempo e do corpo.
ao mesmo tempo lutávamos,
em vão.
quando me sentia fraca,
ela me beijava.
quando as mãos se perdiam
em lições há muito aprendidas,
nos olhávamos no olho.
eu a amparava flutuando sobre o quarto,
ela sorria.
estávamos na lua,
além de nós a escuridão.
a terra era cinza e estranha à palma da mão.
Não conhecíamos ninguém.
quase não havia som.
No entanto,
alguém respirava.
sexta-feira, abril 30, 2010
óculos
às vezes eu esqueço o nome das ruas.
e os seus desenhos.
quando perco o medo de me perder.
alguém canta e o meu corpo se estica pela cidade.
levando o sol no corpo do gato.
fluxo de imagens,
cores desbotadas.
cidade girando nos meus olhos.
nascente
é um caminho de pedras.
nela caminho,
e o vento toca na pele do ritmo
e no aço.
os tambores clamam o coração distante da terra.
os pratos chamam os nomes do céu.
o pé que caminha é o tempo.
e o tempo é a essência.
quinta-feira, abril 29, 2010
meet me in montauk
ouvi as músicas com atenção,
e me perdi nos cômodos inconclusos de outras memórias.
eu vi ele se perdendo enquanto procurava.
eu vi algo que ao se perder
se acha.
e eu quis.
eu desejei.
assim como ela.
o azul dos cabelos dela me fizeram sonhar.
o laranja e o vermelho.
as cenas sussurravam pra mim.
segredos.
que eu ouvi alegre.
quem no filme estava perdido era cheio dessa tristeza antiga.
mas havia uma nota de lembrança no ar.
era algo parecido com o amor.
e a chance de se reencontrar.
então minha alma se desvincilhou do meu corpo,
que protestava,
assim como o meu ego,
cansado das olheiras.
e disse bem baixinho,
quase pra ninguém escutar:
meet me in montauk.
monica e o desejo
o som da palavra na própria boca.
ela vivia entre gritos.
talvez isso justificasse.
eu prefiro pensar em termos de alma,
umidez dos olhos.
com os olhos duros
se tornar adulto talvez seja
se responsabilizar pelos próprios atos.
moralmente inclusive.
para os olhos úmidos
se tornar adulto talvez seja
anoitecer o impulso do desejo,
sempre o primeiro da manhã,
e aprender o amor.
o não tempo do amor.
monica olhando para as lentes do cinema.
monica na praia,
gritinhos de felicidade.
monica e o tédio.
monica inconstante.
monica e o desejo.
quarta-feira, abril 28, 2010
acender
quem primeiro viu foi a luz ainda acesa,
mostrando nosso estranhamento.
terça-feira, abril 27, 2010
felicidade
domingo, abril 25, 2010
a banda
sábado, abril 24, 2010
antes do pôr do sol..
é um rosto doce
que a alma acha conhecer mais do que o corpo.
o corpo é marcado pelos instantes,
se molda,
responde.
o corpo tem memória curta.
a alma não tem memória,
não tem passado,
não tem futuro.
a alma só tem presente,
e o seu presente é o amor.
por isso ele sonha,
e é ela quem ele mais conhece.
passando num trem contínuo.
um rosto doce,
porém inerte.
a alma ainda vive,
mas tão longe do corpo
que ele acorda suado
e chorando.
antes do pôr do sol.
e não há tristeza.
existe uma casa sem riso,
um filho numa casa sem paixão.
existem saudades,
e existe a solidão.
inferno
cores de sentir com outros olhos
de pássaro que vêem mais cores.
não há foco que as prenda
- todas as cores passam.
quinta-feira, abril 22, 2010
amanhecer
quarta-feira, abril 21, 2010
perdão
como tantas coisas que vem junto do amor,
a intensidade do junto
ser a cica do separado.
o passado denso,
nada matará.
mas saber que você é
algo que eu não sei o que,
mata em mim algo.
Por isso é que me despedi assim,
fechei as portas e janelas.
da casa que te falo,
do corpo
e da memória.
Foi por isso que endureci
por não conseguir dividir um mundo
em que seu sorriso é anônimo.
Um dia quem sabe meu carinho volte,
doce e gentil como nos dias das intensidades.
agora tenho só esse sorriso duro,
esse olho solto,
cheio de um amor fechado.
amarelo
gaveta
segunda-feira, abril 19, 2010
si
e eu sempre disse que esse era o nosso cheio.
a ausência de palavras como desculpa
para nos encontrar em lugar.
quando tudo acabou meus olhos continuaram mudos,
mas os braços e bocas não pararam de perguntar.
que tola fui eu,
pensando que sua boca muda
ia me explicar.
só
sábado, abril 17, 2010
dormir acordado
A garganta se condensa proibindo os carnavais.
Os olhos não se cansam do seco e do molhado,
intermitência dos momentos.
Talvez fosse dar uma cambalhota no mesmo lugar,
encontrar água,
doce, salgada, salobra,
no limite dos pés.
E o céu nos olhos.
Talvez se tudo não fosse seco.
Não como a terra que vem até o nariz,
mas como piso frio que não se muta.
O sol queima e transforma minha pele.
O cansaço dá motivo pra se esquecer.
Sonhar moldado pelos limites do corpo.
quarta-feira, abril 14, 2010
terça-feira, abril 13, 2010
sentir
segunda-feira, abril 12, 2010
ilhada
a última casa, ou a antes da primeira
sábado, abril 10, 2010
XIX
Tinha frio na barriga e tentava apropriar o casaco à maneira eslava.
Abri os olhos ligeiramente,
a luz branca da manhã entrava no meu quarto,
mas não o calor da luz.
Tinha um sujeito sentado
com uma gravata estranha.
Ele tinha os dentes feios
e falava demais.
sexta-feira, abril 09, 2010
voyeur
quinta-feira, abril 08, 2010
persisto
manhã
terça-feira, abril 06, 2010
sim pinguim
segunda-feira, abril 05, 2010
presente
agradeço
quinta-feira, abril 01, 2010
dois
segunda-feira, março 29, 2010
vez
como sempre saem,
traiçoeiras
vulgares,
a procura de algo
que eu não sei dizer.
das suas palavras
prefiro escutar,
não as cores
dessa cidade,
mas o barulho discreto
e insistente do mar.
das coisas que digo,
a maioria você ouve,
e responde,
sem erro e embaraço.
mas nessas noites,
possivelmente banais,
eu prefiro
quando você não consegue escutar,
e eu olhando nos seus olhos,
entendo com o brilho mudo
do espanto.
que talvez seja por cor,
que o olhar escolha
o que do mar em ti há.
quinta-feira, março 25, 2010
inha
E no canto dos olhos vejo a luz barata,
levemente amarela,
refletida no tampo das mesas de plástico.
Não escuto o que elas falam.
Algo que não compreendo,
outras línguas,
outros tempos.
Algo que não me diz respeito.
Com as tintas da ebriedade
desenho um sorriso na minha própria boca.
As pessoas riem pra mim,
talvez achem graça do rosto sem forças,
e da tinta sem malícia.
Talvez acreditem.
(Ou talvez também tenham se desenhado alegrias).
Alguém na mesa me conhece.
Eu sei.
Mas ela está em outras paisagens.
O olhar, mesmo que tente se encontrar,
encontra quinas, miragens, curvas.
Nunca passagens.
No olhar de outra pressinto a doçura inevitável do mar.
Isso eu também sei.
Mas ela cita nomes, e músicas, e gostos,
e o mar se atrofia no seu rosto.
Há ainda mais uma.
Intermitente nos dias.
Energia que confunde,
protege.
Expande e introverte.
Ela tem olhos que fogem,
olhos de tristeza.
mistério do significado,
lançamos uma corda.
O seu olhar triste puxou por um lado,
por outro o meu.
na noite díficil da dança das máscaras,
nos comunicamos em sílaba e gesto.
terça-feira, março 23, 2010
palavras duras
segunda-feira, março 22, 2010
ímpar
domingo, março 21, 2010
familia
O tempo,
o hábito que nos constrói,
é que nos separa.
Lembramo-nos por poucas vezes,
uma palavra ou outra em casa,
algo doce
facilmente engolido pelo corriqueiro.
Entretanto,
tão logo nos reunimos,
reconhemos imediatamente
em todas as faces,
o sorriso escancarado do encontro.
O habitar que nos separa,
é logo desprezado,
porque a casa dessa familia que sempre aguarda,
é dentro,
e não fora.
terça-feira, março 16, 2010
nada
e chego a pessoa.
viagem de vales indecisos.
neve, sol
e pouca precisão.
o vento escurdece.
a música
que ninguém sabe da onde veio.
olho seus olhos
tristes.
se distanciam da estrada.
as mãos cobrem alturas,
ináptas.
conduzem-me numa dança
comoque mímica.
segunda-feira, março 15, 2010
domingo, março 14, 2010
sexta-feira, março 12, 2010
amoras mofadas
como procurar numa gaveta por uma lembrança
e encontrar tudo mofado.
quarta-feira, março 10, 2010
parabem
restos
terça-feira, março 09, 2010
olhar
domingo, março 07, 2010
meu deus
o menino-homem que joga serpentinas
anulado pela música triste que leva todas as coisas pro mesmo lugar.
Meus cabelos prendem os pedaços,
minha tristeza adormecida...
Ela longe e meu pensamento que sonha distâncias,
o tempo que passando não se aproxima de mim.
O sono como chave pra todas as portas.
sexta-feira, março 05, 2010
clá
E as cores
densas escuras.
E o peso.
E a dor.
Trocamos mensagens de silêncio,
mas eu lembro da sensação da primeira mensagem que te mandei.
Meu peito ficou desatento pro resto das coisas do mundo.
E depois de um tempo cantou baixinho.
Eu lembro de querer te ver e procurar.
E de ser um monstro.
e de ser incorreta com quem eu amava
(inclusive comigo mesma).
Eu lembro das coisas boas,
da sensação de liberdade de quando a gente começou,
das festas malucas e das pessoas legais,
lembro de não sentir cíumes.
Lembro também do abandono dos nossos amigos
e da tristeza.
Lembro de estar do seu lado no sofá,
duas agonias ainda pouco íntimas.
Lembro das descobertas dos nossos corpos,
a comunicação mais densa,
energia e telepatia,
o mar e a cor roxa.
Eu lembro menos de quando você não sentia mais nada me beijando,
ou quando ficavamos entediadas cada uma fazendo uma coisa.
Eu lembro mais de fazer qualquer coisa e não importar,
de passar um ano inteiro todos os dias do seu lado,
e pensar que você era a melhor companhia sempre.
Eu lembro de quando você ria e das bobagens que eu falava,
eu lembro de você bêbada,
eu lembro de você brava.
Eu lembro que pouco importava tudo porque a gente era junto.
Eu lembro de sentir o agora,
essa cor,
branca, leitosa,
que invadiu todos os poros da minha cabeça.
A existência solitária,
e um rufar intranquilo do peito que ainda bate,
o gosto estranho,
antigo e novo,
da palavra solidão.
quarta-feira, março 03, 2010
lembrar
sépia
terça-feira, março 02, 2010
pavor
quando ela me chamou eu sai do quarto procurando o seu nome nas paredes.
quando ela me chamou eu cheguei na cozinha e comi algo para aguentar o dia.
quando ela me chamou eu atravessei a cidade fazendo desenhos.
quando ela me chamou eu ouvi música e sorri com os olhos mudos.
quando eu percebi ela não tinha me chamado.
quando eu percebi eu continuei acordando,
e eu ouvi música e até sorri,
e comi e fiz desenhos.
quando no meio da noite eu acordei com você me chamando
era um sonho.
eu acordei suada e chorei de pavor,
por ainda ter o nome que você não mais chamou.

