quinta-feira, junho 28, 2007
pathos
as nuvens confundem a natureza da água salgada que toca o solo. não deixam de passar, em absoluto. tenho como exemplo as formas de suas curvas. idéias e mundos que passam por vezes despercebidos. a espécie de segurança da gratuidade que tem o afeto de um felino.
sou seca, rala, pouca. fecunda. não me diferencio do solo, da vegetação rara, ou então das nuvens. o ritmo da terra, batimento cardíaco lento, toma conta do meu ser. caminhada letárgica.
tais imagens sem nicho, flutuando por todos os ares, invadem-me o estar que torno como uma obsessão: repentinamente as linhas de um círculo que dele toma posse. círculos, retornos imersos nos caminhos. no meio do deserto sem fim encontro um cactus. forte, linha bruta do constraste. resistência agreste da vida que se cumpre. signo inteiro da fecundidade.
fluxos do tempo, e do meio, no outro áspero, desfaço-me da pedra, despojo-me da areia que formou-me, entrego-me. mato e morro. fim concluso da procissão, sem linhas retas. libero-me da minha carne, arrebento-me no meu ser. sou outra vez.
quinta-feira, junho 21, 2007
tereza
a fuga da fuga
em doses homeopáticas:
cerveja a cada dia,
pedaço a cada esquina,
eco sem sujeito, óculos sem miopia.
não se procura e não se acha, enfim a sua resposta:
o nada.
no mais, só
as palavras
que nunca
se calaram no ar.
domingo, junho 17, 2007
desconstruindo werther
eu lembraria do seu sorriso,
e não é que quando me encanto sei transpor isso ao outro, no instante de uma palavra?
por trás de cada sílaba antes o ritmo do que o fatídico sentido,
sei sim,
e o sorriso de lia.
a faria um samba, se é que tu me entendes.
como uma ladeira iluminada de sol,
como uma saudade,
gato, gato. rato. triste saudade.
triste saudade de lia.
chá de romã
pois não é como se fosse cheiro algum, pois está lá. é o profundo cheiro do nada. enquanto isso volto a minha atenção ao filme que passa. que babaca, sem propósito algum. e eu penso no que penso. minha cara, sem propósito algum. como se nadasse e meus pensamentos fossem espuma do mar, não importa que não tenha nada além da espuma, o que importa é que eu sinto.. :que há algo, só não sei se já encontrei.
dou mais um gole no chá,
como um tapa na cara a verdade se revela:
o profundo cheiro do nada.
sexta-feira, junho 15, 2007
debaixo do pano
entre as suas expectativas, e o que o punho fechado guarda.
-não. eu não falo de pombas voando.
eu penso no que do tempo me aguarda.
este é o se perder: esperar.
o pôr do sol tem hora marcada. quase.
mas nada tem hora marcada.
-é que me perco.
poesia de cego.
mágica pra ninguém ver.
mudar as expectativas.
quarta-feira, junho 13, 2007
leão
sabe que seus olhos estão vermelhos.
ângulo torto de si mesmo,
descobrindo o mundo que fez-se sozinho nas noites passadas.
levanta, olha.
o que mais desdobra da falta aguda do pensamento?
o mundo se arrepende,
sustentado na fraqueza ébria de seus joelhos.
quinta-feira, junho 07, 2007
terça-feira, junho 05, 2007
quem sabe um dia
procuro e acho que sei,
mas nunca sei.
fecho os olhos de desespero. abro os olhos e me tenho.
domingo, junho 03, 2007
desconstruir
para escutar tudo o que você tem a dizer.
quem sabe assim eu ouça o que sempre quis ouvir:
os seus fins vão ser os meus começos,
a minha mentira vai ser a sua verdade.
viver
não há algum contrato
que de fato
nos proteja.
nascer sem petição,
morrer,
por ventura,
por acaso.
e entre isso e aquilo,
todas as pedras,
no meio do caminho,
no fundo do sapato.
quinta-feira, maio 31, 2007
total
instantâneo
bike
segunda-feira, maio 28, 2007
7
navego pelos mares secos que foram essas horas,
reformulo as palavras que ficaram suspensas no ar.
os rostos,
os rostos, todos deformados:
será miopia dessas gotas d'água?
a palavra nunca.
o braço imobilizado,
ato sem fim,
semi círculo.
por essa estrada
nunca avançará.
dos grãos de tempo,
castelos de areia, pequenos contos.
compulsivamente me alimento
dessas migalhas que achei pelo chão.
se todas as fomes são infinitas:
enfim o seu não.
por tudo o que foi fácil,
não suprirá a falta:
vejo a vida com suas tetas imensas,
apagando brancos incêndios.
sob os olhos de aproximar-se
de um instante, tempo e espaço,
descubro a matéria do vazio:
eis a infinita chama.
a dureza desses passos,
marcas fundas no solo.
o tempo passa:
estamos salvos,
ainda somos.
sábado, maio 26, 2007
é lava
é se encontrar chorando, perdida em si mesma,
e não se encontrar.
e não ter pra quem ligar.
é uma ladeira que não dá pra enfrentar sozinha
e não ter com quem ir junto.
é fingir que não precisa de ajuda e então ter que não precisar.
é querer se matar, mas não ter coragem.
é gritar e gritar e gritar, e não saber gritar,
e precisar, e não saber precisar, e não vir ninguém. é isso.
é essa lágrima que caí sozinha.
sexta-feira, maio 25, 2007
que instâncias da personalidade?
- despressuriza bicho.. escreve, escreve tudo! pôe no papel, finge que isso tudo é deles também...
- eu não quero escrever. eu quero viver.
paúra
tá tão frio, e a cidade anda tão bonita. a rua tá cheia de pessoas com frio. não importa muito o que elas pensam, elas são o que elas são de qualquer maneira. pensamentos são só espaços brancos com desenhos. uma mulher de casaco roxo escova os dentes e com os olhos olhando pra dentro pensa em qualquer coisa. eu olho pra ela e eu vejo ela. basta olhar pra dentro.
faz uns dias que tem uma dor no peito que atesta que eu existo. minha hipocondria vigilante já tentou mil diagnósticos, de gases à botulismo. parti pra freud, pensei quais eram as pulsões que eu reprimia, em que buraco eu me metera. mas prefiro não pensar assim. eu sei que se a vida deixar de ser só esse empurra empurra, se escondendo nas entrelinhas para não tomar chuva, eu vou chorar. dor no peito de se encontrar sozinha.
sabe, cada dia mais eu penso que existir é isso, existir mais por inteiro, é achar-se sozinha.
eu me prendo às pessoas, às teorias, aos livros. ao mar. talvez tenha desaprendido a viver sozinha. a estar sozinha. eu sempre penso que uma música vai me salvar. o que eu tenho é medo.
quarta-feira, maio 23, 2007
concêntrico
A luz é pouca. É luz da madrugada. Os grilos me trazem esse silêncio imenso que chamam solidão. Não ligo, sou esse outro. Corpo ao vento. O redor me engole como seu, como um nós. Inventado, já que me esqueci.
Aos poucos as unhas vão se encardindo da terra que não consigo evitar, os pelos vão se coçando da grama que incomoda entre as pernas, e já nem incomoda mais. Não há luz que me chama, não há voz, nem mesmo sopro. Não há ondas que não poderia romper.
Talvez venha um cão aos meus pés, cumplicidade de olhar no mais fundo de nós dois. Ele se entrega e eu me entrego. Amor barato que prefiro. Estar só, sem vozes. Reverbera o som e o calor.
celeste
todo o tempo que passa
sabe mais quando não diz
tanto bem e todo mal.
nas nuvens
dá-me tua mão.
hoje eu vejo tudo com novos olhos,
olhos de quem nunca viu.
aqui dentro como flor única,
pés decalços em piso de madeira.
indistinto ir sentindo
corpo todo, alma aberta.
esse existir leve,
carinho de pluma,
passos de lebre.
escuta esse silêncio todo,
e me dá tua mão.
sábado, maio 19, 2007
brother jack mcduff
- não sei. impossível reter os flocos das pessoas reais. por isso que eu não gosto de cinema, os personagens quase nunca tem mapa astral.
- mas quiçá... quiçá criar é quase psicografar, umas coisas de inconsciente coletivo, manja? mapa astral, jung....... física quantica e qualquer coisa é possível..
- inclusive criar.
- vai ver..
papirus
já não sabe mais das histórias do passado,
não é lúdico, tão pouco sábio,
sem matéria, ou futuro.
peito agora de se ver por inteiro,
quem sabe sentir o momento.
fluxo, instante fluxo do erro.
quarta-feira, maio 16, 2007
desabafo
segunda-feira, maio 14, 2007
faísca / retalho
dúvida de que essa existência ébria e escura, por só, fosse como minha. era nada! era pouca. aprendi quando me esqueci, porque me encontrei no ato. no que de mim retornava quando eu fingia não ser. me encontrei em todos os enganos, pois me entreguei. foi assim que novamente o erro encheu minha boca de palavras: quando a melancolia com sua ladainha atraente conquistou-me numa esquina. encheu-me matéria vazia no peito.
bebi, e não voei. só pude andar. princípio do fim a falta. enleio da matéria. é isso que somos.
o oco inadimplente retorna. e então somos nós.
sábado, maio 12, 2007
pra não perder
tenha signo de também ser útero,
tenha olhos de entender no escuro,
quero um homem que nunca seja bruto,
da poesia ser também mulher.
sexta-feira, maio 11, 2007
manga
é uma fruta - me dizem.
pego uma manga na mão
procuro uma fruta.
a mordo - procura a fruta da fruta
a mordo - a devoro - a sou.
procuro a fruta da fruta
chego ao caroço
e me encontro
a fruta está no oco
muito pouco
se não for para ver o time ganhar, basta andar pela cidade. eu ouço melodias no meu oco, eu sorrio de uma alegria qualquer. esquinas e esquinas, anônimas. esses são os meus passos (eterno desconhecer de suas meninas). o céu me cobre, a rua me cede,eis que invado a vida, com seus pés de aço: venço seus vãos. assim que esvazio o sentido da inversão que é ser para dentro. a cidade me faz tão pouco, me rareia, não passo de um não nome. andar desse existir para fora.
quinta-feira, maio 10, 2007
cruz das funções
segunda-feira, maio 07, 2007
mao
pensar é sua terapia
me diga dos seus dias
deixe seus pés no chão
não voe tão alto
é árido o ar
rarefeitas são as sombras.
o caminho e as pedras
as pedras e o caminhante.
(sim, tema. pois o erro também está lá) .
o fim não existe até chegar,
qual projeto que não é como horizonte,
qual delírio que seca antes da fonte.
o caminhante, meu amigo,
é o todo, é o próprio caminhar.
domingo, maio 06, 2007
metafísica
sei desse marca passo
dos erros
finjo a nostalgia do controle
tensiono todos os músculos
nos dedos evito
abandonar-me num largo precipício.
e penso
e sinto
e tento
o fim é sempre o fim
e o erro é inevitável.
quarta-feira, maio 02, 2007
mariposas
eu descascava a vida como se fosse uma cebola
e em poucos instantes lá estava eu
e a vida. sozinhas.
algo como se luz
de cozinha iluminasse tudo.
não estava preparada
e chorava molhando os ombros fortes
do meu pai.
segunda-feira, abril 23, 2007
rogar. em vão
quem tem paz e dorme não precisa de palavras. te inveja um olhar macio que pouso na-tua-nuca. a maneira qualquer como esparrama os cabelos, sem jeito, na cama. o sono sem culpa e ateu. consolo-me com um apesar-de. é um desconso-lo do ser. sou toda pra fora. esbanjei já minha dor ao nascer, e todas as lágrimas no decorrer dos dias. sou vasta e árida. já passa meu tempo e prevejo. por isso os sábios sorrisos que os bons velhos me dão na estação de trem. eles preveem, além deles, o meu fim. sinto-me num aquário. viver sufoca-me como não ser água, como não ter ar. tem vezes que é impossível não debater-se no medo de nunca subir a tona. tem vezes. como não dormir por medo. lisura da pele quadrada. estou naquela casa e só eu posso me salvar. do medo. eis aí a ambiguidade.
amanhã é terrível. não suporta minha cabeça num travesseiro.
a madrugada conforta-me. parece imensa. seu tempo mente. é eterna, e estou só enfim.
a luz do dia que virá é como viver em claro. desta vez é o sol que obscurece as ilusões (sim, na ordem inversa). trás os passos curtos e garantidos, e também sombras. na noite tudo quanto é gente é sombra. de dia só restam os espelhos. vis. não me confortam. cínicos. os odeio. minha morte será como a noite. será uma madrugada sem fim.
consolo
a água do chá da menina fervera. ela, sem medo e etereamente terrena foi à cozinha. da altura infinda dos seus pensamentos, o menino despencou com ossos fracos (perdido no seu próprio vazio. nos seus pelos feios. seu olhar de monstro. seu nome de joão paulo). caiu dos seus infernos e paraísos criados no erro que concebia, segundo após segundo, querendo quem não o queria.
domingo, abril 22, 2007
juventude viada
ah! esses dias em que alberto caeiro é precioso, pra livrar-nos desses maldito martírio de Ser. muito difícil viver em paz nessa panqueca de ecos freudianos, niilistas, moralistas, pugilistas; transformaram existir numa escolha de vida. decidiram por quais vias devemos testar nossos passos antes de andar. eu só quero andar, e gritar, e esquecer toda essa porcaria sem sentido que andam ensinando por aí. enfie kant no cu, cuspa em nietzsche, ponha o dedo no nariz de adorno! cansei dessa briga efêmera de grandes autores anônimos, de pequeninas letras xerocadas. eu quero ver o mar. em paz. e formular minhas próprias teorias.
-é cara!
sexta-feira, abril 20, 2007
beleza pura
Caetano Veloso
Foi um pequeno momento, um jeitoUma coisa assimEra um movimento que aí você não pode maisGostar de mim, direitoTeria sido na praia o medoVai ser um erro, uma palavraA palavra erradaNada, nadaBasta quase nadaE eu já quase não gostoE já nem gosto do modo que de repenteVocê foi olhada por nósPorque eu sou tímido e teve um negócioDe você perguntar o meu signo quando não haviaSigno nenhumEscorpião, sagitário, não sei que láFicou um papo de otário, um papoIa sendo bomÉ tão difícil, tão simplesÉ tão difícil, tão fácilDe repente ser uma coisa tão grandeDa maior importânciaDeve haver uma transa qualquerPra você, e pra mimEntre nósE você jogando fora e agoraVai embora, vá!Deve haver um jeito qualquer, uma hora!Há sempre um homemPra uma mulherHá dez mulheres para cada umUma mulher é sempre uma mulher etc., talAssim como existe disco voadorE o escuro do futuroPode haver o que está dependendoDe um pequeno momento puro de amorMas você não teve pique e agoraNão sou eu quem vaiLhe dizer que fiqueMas você não teve piqueNão sou eu quem vaiLhe dizer que fique…Mas vocêNão teve piqueNão sou eu quem vaiLhe dizer que fiqueNão sou eu quem vaiVocê não teve piqueNão sou eu quem vaiLhe dizer que fiqueNão sou eu quem vai
basta quase nada
-tem vontade de encontrar as paredes (as perguntas)
-tem vontade, a máxima e única de abrir os olhos.
mas não. adivinhe o som do vento no escuro da sua própria vida,
e não abra os olhos tão cedo.
ceda ao exagero,
solte seu corpo na falta de acreditar na gravidade.
reinvente os nomes das cores.
'seja quem você nunca será.
não tenha medo do que virá - ele virá.
porenquanto abrace o agora e seu nome de erro.
nomes não passam de nomes.
eu só acredito no rio que passa dentro da minha aorta.
quinta-feira, abril 19, 2007
gabriel
pregos na parede,
dias da semana,
planetas flutuando.
doze passos de cristo,
anos de castidade,
meses do ano.
três pernas se bastam,
duas pernas procuram,
uma perna sozinha,
perde-se ao vento.
quarta-feira, abril 18, 2007
boi voador
dizem que a pior coisa a fazer é se abandonar. eu digo que são patéticos os apelos do corpo. não sentir. não ouvir. não ver. primeiros passos pra vida de fato. travessia da indiferenciação. liberdade de regressão evolutiva.
tia edna
eu passo os dedos na linha da sua coluna, e acho tudo isso uma bobagem. te vendo daqui, dormindo. a ternura é quase a única coisa que toca meus poros.
domingo, abril 15, 2007
hein
sexta-feira, abril 13, 2007
com um laço vermelho
ele ouviu. e depois ele lembrou. porque afinal já fazia muito tempo que a vida era bonita. agora ele se debruçava em cima de uma madrugada doente (os fluxos doentes da cidade, os canos, os ratos - o porco. que matéria mesmo essa que o lembrara do "idiota"?). tarde demais pra lembrar. debruçava-se sem sono em cima da cidade e de um lado pro outro na sua cabeça ouvia "a vida é bonita". tanto tempo. era o tempo ainda que as coisas partiam de direção, o céu era azul e por isso a vida era bonita. depois tudo mudou, foi bem quando ele quis entender o que entendesse, sem que o dissesem. quis achar sartre um merda, e achar que podia ser dele também as verdades. foi um certo dia aí que ele descobriu que pra fazer uma verdade bastava uma mentira. e agora ele olha o céu e não vê nada. são olhos mudos. e ele come salada, e se sente uma vaca. ele digere tudo em pedaçinhos e não come nada. ele se debruça na cidade, e se sente olhando a grama verdinha e sem graça do pasto. ele come, vomita, e come de novo, a mesma massa verde (verde como o fundinho ralo que ele guarda na parte debaixo do estômago). caga sempre a mesma merda. e quase não tem mais paciência. dizem que a mentira é a verdadeira transcendência humana. a mentira é tudo e a verdade é nada, e nada é tudo. e todo mundo só quer trepar. mentira. tudo mentira. ninguém quer porra nenhuma. se tiver alguém que diz que quer chama aqui pra ver. lorota. medo. só medo. é só isso que te faz achar a vida bonita. e agora bem bonitinho senta e fica com essa mentira que eu fiz de presente pra você.
só pulsão, hein
graças a deus não pego mais ônibus, é uma hora a menos pra se torturar. hoje em dia eu só penso antes de dormir (tem reparado as olheiras?). e é também quando eu menos penso. ou menos existo. eu mais nada. nem dor eu tenho mais. eu tenho só esse nada, só lastimo que ele seja imenso. meio fora de moda, mas tenho que admitir que as vezes o meu coração desiste de ser músculo, e vira mar mesmo. juro mesmo, cê devia ver ele inundando tudo. e eu fico lá sujeita a esse corpo ridículo que eu nem pedi pra nascer com os olhos bobos perguntando o que aconteceu. só vou saber no dia seguinte, manchete: inundação na avenida sumaré, subtítulo: nenhum ferido já que chave não corta. (pelo menos foi isso o que ela pensou, ainda bem hein. porque o pai disse que a história era outra). preciso de alguém pra me dizer se a vida é mesmo esse eterno esvaziar-se pra não estourar. não estourar. melhor que terapia comprar uma porção de alfinetes bem brilhantes. ou bomba de bicicleta. ou morrer todo o dia um pouquinho. antes de dormir, os seios da morte seduzindo. e o sorriso de dentes cheios. pílulas da morte do doutor xavier.
dentro da vista
quinta-feira, abril 12, 2007
amnésia, hein
a verdade é que ninguém pode confiar na memória, mas é possível que tenha sido mais ou menos assim:
o sol batia no conjunto de prédios do outro lado da rua, era um conjunto grande, cinza, quadrado, me lembrava às vezes 1984. e o sol (ou melhor, o reflexo dele no prédio) era sempre alaranjado. talvez porque eu sempre chegasse um pouco antes do entardecer, ou talvez porque os caprichos do tempo preferiram assim.
era um tempo em que se bebia demais, todos os dias. íamos quando podíamos, assim como os outros, e não saíamos nunca mais. não que fosse nossa culpa, não era, definitivamente. eram os músculos que se amoleciam nas cadeiras, os amigos que puxavam com suas mãos ocultas por mais alguns intantes da sua presença (que sempre duravam horas), até os garçons que nunca paravam de trazer cerveja eram mais culpados do que nós.
uma hora ou outra o nosso contínuo esforço de ir embora perseverava sob o ímpeto daqueles Outros, que queriam fazer do nosso fígado patê pra passar no pão. íamos embora então, às vezes cabisbaixos, mas na maioria das vezes esquecidos de qualquer coisa (que talvez até hoje não lembramos).
o gosto amargo, concentrado, da cerveja ficava nos cantos da língua, tinha o rosto suado, os cabelos despenteados, mas a certeza de que a vida era linda. andava tonta pelas ruas, preferindo sentar por poucos minutos nas sarjetas do que pensar em voltar pra casa.
Pois bem, voltei pra casa, e aqui fiquei... já passaram os dias que eu me esquecia pelos cantos. agora são os dias que a gente se lembra de si (isso são o que Eles dizem). todos os dias escrevendo o nome em todos os lugares, assinando os papéis da burocracia, condensando números ao lado do seu rosto. sim, Eles nos lembram de quem somos todos os dias. eram aqueles os dias em que a gente se esquecia. pois sim, pois sim.
terça-feira, abril 10, 2007
caminho
outro suspiro sai à fonte. como os minutos que levam um pensamento. exatamente como eles, insuspeitos, embora se percam com a menor desatenção. estou atrás desses olhos. firmo-me atrás desses suspiros. me admito. pois sim, fui eu. quem irá elevar a voz perante esses descuidos? se meu crime não passa da admissão dos teus. pois levo como arma, e apenas isso, um meio sorriso. é que então vou aprendendo esse ser. enquanto inundo-me, o tempo passa sob o meu corpo. ou talvez seja o contrário, o tempo convencendo tudo ao infinito. não saberei, ainda não. embora persista, evito pisar em falso. e por enquanto basta. possuo algumas dessas verdades, talvez sejam delas a cal dos meus passos. sobretudo quando minto e ardem feridas abertas nas costas. há tudo o que imagino ser, imaginando apenas pois há medo. e por fim, há o amor, e acima de tudo é o amor que admito. e então ser torna-se sentir, que torna-se saber. e então sinto que passos caiados, que nuvens, que sonhos, delírios, tem a latência delicada dos traços brancos do ópio. e que sorrisos deixam de ser armas.
terça-feira, abril 03, 2007
descarte descartes
ai das emoções falsas que andam escrevendo por aí,
quem se negar emoção devia .........
......meu corpo vai pedindo isso tudo que sente,
gritos e risos desconhecidos e - sem sentido.
é que eu fecho os olhos e tenho vontade de dançar,
vou dançar, a abôbada celeste me cobre a cabeça.
eu vejo as estrelas com as mãos.
e só então sei que estou com sede de me cobrir toda de mar.
mar me leva, me cobre, posso estar nua, posso estar viva,
que há o mar, há o escuro, pra me engulir.
eu não sei falar as palavras que o corpo me pede,
só ele diz,
ele chora e sente fome,
e grita.
eu me deixo porque vou aprendendo que nós dois nos-somos,
sem medo,
como no mar, sob o céu,
o mesmo mar.
domingo, abril 01, 2007
cactus
ter uma sede árida do outro.
árvores crescem
filhotes viram adultos
porque tem sede.
não é nada além disso estar vivo.
cara batalha
sei que a vida é vontade de morrer,
e espero que arda mesmo.
eu sei que vou beber,
eu vou escutar chico e chorar.
eu vou arder e vou gozar.
e vou morrer, e vou morrer.
só porque me cansa viver.
ainda, depois, espero
ser abandonada no meu próprio desperdício,
ser o resto de um rarefeito excesso.
sem desprezo ou pena,
ser tão miseravelmente triste,
que se torne uma certeza.
deixa balançar a maré
como um quadro na parede que por mais que você tente ajeitar,
não rola.
você solta os dedos e o quadro entorta de novo.
queria que freud me contasse,
o que é ser torto e o que não é.
quarta-feira, março 28, 2007
psicótico
aprendiz de lobos
eu era e sou de novo
traço uma linha no teu estômago oco
há reflexos no teu olho - eu vejo outro
é o que fez e faz o louco.
domingo, março 25, 2007
sobre a arte de contar histórias
como uma novelo de lã que aos poucos se desen-rola
talvez um velho e um banco
ou mesmo uma distração para o estado de vigília
digo que é fazer pouco caso do princípio de realidade
e fazer do dia o príncipio da vida
dia de semana
a paisagem eram os rostos bonitos daquelas meninas desconhecidas.
me lembro bem da música que tocava e das conversas que, apesar de tudo, não mereciam ser lembradas. lembro sobretudo de uma delas, que floreava as bobagens como se fossem formais epitáfios, construindo sua fala com o resto do corpo. era uma boa época para ser bonita. enquanto ela comentava borges eu focava a luz que vinha do lustre atrás de mim, com uma taça de vinho, no seu rosto. o jogo era esse, enquanto ela tentava se impor, eu a perseguia com a crueldade do vinho. é sempre assim que os minutos passam, até o jogo botar suas visceras para fora, até o inevitável instante em que a verdade, e o tempo, mostram o seu calibre inevitável. eu queria ter aquela menina num gozo. foi assim que eu perdi o jogo.
segunda-feira, março 19, 2007
escrever
dessas letrinhas fazer farofa.
domingo, março 18, 2007
macunaíma
viva
freud
limbos, de espuma, e ópio.
espaços e gravidades alterados,
sou pura e não invejo a vida.
quase que só erros,
sórdidos desejos,
eu estou cansada desses erros.
quero dormir,
o sonho é a gravidade zero do desejo.
domingo, março 11, 2007
sábado, março 10, 2007
bolero de ravel
- de repente o corpo,
seguindo os fluxos do mundo,
vai se envolvendo em si mesmo,
murchando,
passando o ponto.
torna-se repentinamente esquálido,
os lábios, os músculos, tornam-se acinzentados,
e, de compasso em compasso,
vão perdendo seu sentido.
o que era antes carne putrefata e antiga
torna-se o pó sem vida do tempo,
a forma que antes envolvia os tecidos comprimidos
desfez-se nos desenhos que o ar, a gravidade,
(e invariavelmente o destino),
desenharam ao chão.
do pó, rasteiro e raro,
o vento fez o vazio.
e o vazio, que já era pouco, assim ficou.
segunda-feira, março 05, 2007
nuel
sentado no quintal de casa a tarde me engulia enquanto eu experimentava o gosto ruivo e ácido do uísque na garganta. ali, me sentia só e vivo como as criaturas fundamentais da terra, talvez um córrego, ou mesmo uma pedra. ali, me sentia preso a vida por uma força sem vontade e sem questão. vivo como uma coisa morta.
é porque repentinamente não queria mais fechar os olhos, ou mesmo pensar em lugares distantes. toda idéia de fuga ou evolução me dava nauseas. a vida deixara de girar em círculos, de formar labirintos metafísicos, de dançar entre promessas. a vida era a ordem que o silêncio ditava. era o retrato do instante em que o sol se punha.
terça-feira, fevereiro 27, 2007
teorema de peixes
pra te fazer dormir,
invento uma palavra.
mesmo que nunca possa deixar de ser-me com tantos dentes,
a verdade é que pra você eu também inventaria felicidade,
inventaria o subjulgo da solidão,
a dissolução dos egos,
a subnutrição da angústia.
invento tudo e tanto,
que as vezes até duvido
se esse mundo não fui eu que fiz pra você.
mas fecho os olhos e você aceita,
e dorme com o descanso afoito das crianças,
no meu ombro esquecido por trás dos seus cabelos.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
helion
seguimos juntos por esses vales,
bebemos águas frias e raras que descem nos córregos,
nós,
o pastor e as ovelhas.
na verdade são todos dias de sol,
e de som.
seguem todos tranquilos,
e quando não,
é porque ao final das contas há sempre uma ovelha negra.
compreendo então, de certa forma, a vida que arde em mim e arde no mundo que há dentro e fora de mim, compreendo o arder, compreendo essa força energética imensa que me leva a crer num certo algo a mais. compreendo como a magnética subterrânea dessas verdades não me deixa seguir calada com o meu rebanho.
então apoio nas mãos (que surgem dos antebraços dobrados) o queixo, e me abatem as ovelhas negras, persuasivas, sinceras. a força fundamental da vida que não se deixa enganar por esse cotidiano corrosivo.
e o medo por fim. o medo.
que nos segura até o fim dos dias.
como pobres pastores arrebanhados por suas ovelhas.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
vive la fête
sexos francamente nada
uivos
perpetuar sigo indo
costas quentes
e fez-se a luz vermelha e os corpos nus em profusão
há uma pequena mesinha preta, circular
há três ou quatro copos largos cheios de gelo e de um leitoso líquido transparente
ninguém liga pra eles,
exceto um cara magro de sobretudo que excluído da orgia decidiu odiar todos aqueles corpos futuramente inertes.
a luz combina perfeitamente com o mamilo sendo lambido.
a rua lá fora é escura e fria e deserta
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
quinta
já não sei mais se para aninhar-se nos braços de um herói esquálido, ou mesmo para que saibas da certeza do perigo. transporto-me para outro plano, como sobreviver numa batalha perdida. janela da cidade, um bocado de compaixão, canto-te com o amor que me resta, e o vinho acaba em um instante.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
exercício de abrir e fechar os olhos
como quando o tempo jorra e faz da tarde cachoeira fechando os olhos pra ter o tudo abstrato-descabelado nas palmas das mãos - que brotam dos seios - que fazem amor - mas também lembram sempre de que a ordem mais certa é do céu pro chão.
então abrir dos olhos e ver a vida,
como uma descabida ordem.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
menino
como um animal machucado
fumando compulsivamente com sua mãos sedentas por alcool
trêmulas e pálidas
lembro de algo
que nem sei a forma
(nem sei se existiu)
e grito, berro com ele
tento sucitar do silencio dele algo real
mais real do que aquela ostra com pernas.
eu fico com raiva e ele nunca passa do limite da hipocrisia.
papos cretinos.
vida cretina.
e eu tenho medo que a minha agressividade possa afasta-lo.
afasta-lo do que me pergunto?
ele é pálido e parece carniça
e eu não vejo vida nos seus olhos.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
édipo
parece que flutua no asfalto
(começa a tocar radiohead)
mero costume de estar desconectado desse mundo
tudo parece medido
quando ele chega no banheiro da mãe
e escova com a escova dela os dentes.
u-alter
divisando linhas imaginárias das certezas
sabendo o que ainda não escreveram nos livros
o que eles -ainda- chamam de loucura
havia a interface entre as pessoas e os mundos
e as idéias
que eram reais e além de tudo sólidas
tinha fatos
como o de que tudo era fluxo
e fluxo era
como os sonhos e as luzes acesas
fora disso os pesos e as angústias estavam mais perto
embora fosse perceptível claramente os nichos por onde se escondiam
ora atrás do ouvido de um
talvez embaixo de um caichinho
também no que de você me era desconhecido
por assim ser
tinha sentido
talvez seja esse o meu ponto
pois era claro
- quando não é claro as mensagens não dizem o que são
(comunicação maldita)
a loucura ria desordenadamente da realidade
como uma mãe passa as mãos no cabelo do filho
o real é tão estúpido e puro como um filho
um filho da mãe
então fechava os olhos
enquanto o vento aumentava
e enchia a noite de luz (na verdade o breu é uma luz escura)
embora levasse no rosto um quieto riso
piedosamente
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
lagoa
ainda por cima essa chuva.
meu peito lateja,
solta as grossas gotas de lama da morte.
a verdade é que apesar de tudo eu também não poderia ver o mar:
me faria nos mil pedaços dos fogos de artifício.
o mar é muito pra mim,
assim só, e frágil.
antes de tudo eu precisaria olhar nos seus olhos e saber que você está lá me entendendo.
coisa de perceber o brilho dos olhos.
nega maluca
(pontos finais) - eu suporto tudo pois te espero.
vou te contando então da minha fome velada,
amorfa, inerte, fome dos ricos.
a fome que suplanta o silêncio da alma.
Digo - o meu vazio.
vou te suportando toda pois te espero.
eu espero quem elegerei o cavaleiro do apocalipse da minha fome.
eu espero toda vida.
toda chuva.
toda morte.
pela vida que sequer tem braços e pernas.
em silêncio que é como eu aprendi a estar.
agora me entenda. entenda o meu silêncio.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
insônia
2. há as temeridades no meio do caminho
3. se já não é, faço de tudo uma grande mentira
4. me preocupo, pois sim, há sempre as certezas cruéis
5. eu chamo o tempo de espaço
6. sinto a tua mão no meu peito, me apertando com grave respeito, com um certo amor materializado não sei donde, sinto sua boca procurando o meu pescoço, carnes nuas, fazendo ao invés de sexo, ternurna
7. sinto a sua falta
8. e por fim durmo
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Olinda, 7 de janeiro de 2007.
é que foi uma noite longa, de suores e medos, e tive essa manhã de despojar-me das muitas horas de desespero na ducha fria do chuveiro.
agora que sento e te escrevo, e também o faço por medo, vou me sentindo invadida por um leve desapreço, dessasossego, esquecimento. ainda que equilibro a caneta aqui, bem embaixo de nossos narizes, para sucitar vozes de longe.
além disso sei que vivo, o estômago urge, e os cachos secando vão demoradamente se compondo.
sei que as coisas que aqui digo de fato nada falam. é só para reproduzir, no ligeiro estupor que tenciono produzir em suas têmporas quando receber essa carta, um abraço forte e vivo.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
dedico
desesperadamente uma vontade de que a vida abra as pernas e proclame como ordem o esfolamento final. é coisa de se pedir dois segundos de folga, respirar bem, olhar pros dois lados, e mergulhar a cabeça como se estivesse pra morrer. arrancando com a boca os pedações do ócio (só porque eu queria falar ócio), comendo cru. se lambuzando em sangue antes casto.
frágil como galinha d'angola
quarta-feira, janeiro 17, 2007
gastrite
sábado, janeiro 13, 2007
dois
quinta-feira, janeiro 04, 2007
cê
o sono não tem sido como era, uma ordem apenas, dormir e então acordar no outro dia.
a noite tem sido cheia de fantasmas e medos e aflições.
a verdade é que eu procuro evitar o passar dos dias.
perde-los pra sempre,
sem nem, ao menos, uma lembrança na retina.
a memória que cessa.
os dias tem sido maus, por mais bons que tentam ser.
desgasto minha pele na areia, no sal, o mar e o sol.
desgasto minha alma deitada na areia.
e por vagos momentos não tenho mais medo,
nem essa incessante vontade de chorar.
até o instante em que tudo se figura errado,
e eu penso em ir pra bem longe,
aonde tenha só o vento, e o mar, e o som das folhas.
então eu lembro que eu estou bem longe,
aonde só tem o vento e o caramba a quatro.
enquanto isso minha alma morre envenenada
segunda-feira, dezembro 25, 2006
freaks
vermelhos e azuis intermitentes,
como luzes que se apagam.
uma se foi na metade,
a outra me deixou na esquina,
e eu logo senti umas saudades.
saudade grande, saudade boa.
é coisa de guardar no peito,
essas duas aí.
domingo, dezembro 24, 2006
celibato bicho
libertando vontades de outros carnavais.
jaz, assim como plena, também fugaz,
refletida na retina. apenas.
eu não quero eles,
e não quero elas.
anseio pela mais absoluta abstração,
abnegação de defeitos,
de charmes, e medos.
faço desse meu eleito.
exercício bilac-an(us)
se escondes no breu,
essa outra, não eu,
és cruel e nefasto.
calor que dependo,
pensado e então dito,
distante e maldito,
acaba que sendo.
se já não aceitas,
os intentos lindos,
que entrego em sua mão,
as juras mal-feitas,
ou beijos bem vindos,
como ato simplório, que jogas ao chão.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
vamos beber um vinho?
era o monstro novo que tinha nas visceras. angústia que quando se mexe causa enxaquecas e hemorragias.
entrou correndo no quarto, balançava os cabelos como um lunático, pôs os tambores africanos sintetizados, e dançou toda cegueira.
cortou os cabelos com as mãos nuas de calos.
(medo do depois de desconstruir todas personas)
desespero bom de se tacar na janela.
have a good sleep
quinta-feira, dezembro 21, 2006
blue print
e posso voar.
eu tenho a liberdade do domingo,
mundos sem formalidades.
na minha testa não imprimiram nada,
perua, solteira, vagamente ruiva,
psicóloga.
ainda me dão o direito
de finalmente ser eu.
o tempo pra mim é areia.
eu não pedi por nada disso.
não quero a responsabilidade de uma escolha que eu não fiz.
não quero um fardo que sequer é meu.
tô pensando em trancar a puc
quarta-feira, dezembro 20, 2006
reprise metrificada mais bilac
nos passos dispersos e livres,
vem me fazer companhia,
além do teu útero,
macio e leve.
apesar de toda tristeza,
me escorre puro assim - belo,
pelos poros que além de tudo meus,
também tem sua beleza.
beijos enfim na tua bochecha,
esparramando-se pelos teus restos,
chego em casa enquanto amanhece
e cessa o pensamento.
semi
crazy.
não que pra mim não sirva, e não que você não ame a todos. mas é como se fosse diferente. é igual, mas é diferente. pra mim eu me entrego na esperança que alguém possa entender. você tem medo. de qualquer maneira. e eu não sei quando você pode me entender. catzo.
todas as mulheres são malucas.
terça-feira, dezembro 19, 2006
mack the knife
domingo, dezembro 17, 2006
ópio
deitou e então quis fugir. pensou em morrer por poucos segundos. perdera o amor, perdera o sentido. como sempre nas horas do desespero tentou hipoteticamente achar um lugar em que poderia estar em paz. e como em todas as vezes, não encontrou. sempre soluções patéticas e temporárias. intermitentes euforias.
sentou-se perto da janela e acendeu outro cigarro. a paz de cinco minutos de um cigarro bem fumado. esse era o seu paraíso. o único que sua fé fraca conseguia alcançar. o vento bateu na sua cara, trouxe a fumaça pra dentro do quarto. e a única coisa que ele quis foi miseravelmente acreditar em deus. qualquer um que fosse.
sábado, dezembro 16, 2006
molhar no mar
sexta-feira, dezembro 15, 2006
segunda-feira, dezembro 11, 2006
privacidade é pra judeus
não, eu espero que não...
eu não vou te enganar..
eu só quero fazer uma poesia bem bonita,
pra você poder beber com vinho,
pra você poder olhar com flores,
ou comer no meio da salada..
eu sempre espero que você não se chateie,
com tanto dadaísmo..
mas todo mundo sempre se chateia,
e eu mesmo me chate-ei
então estou sendo chata.
um pé no saco,
embora nenhuma de nós tenha um desses.
bagos, essa é uma boa palavra.
há muito mais do que isso.
do que a mediocridade que eu vejo.
só porque voce nãoo é uma pessoa medíocre.
e é por isso que eu nao vou te enganar.
não, eu espero que não............
aleatória
sábado, dezembro 09, 2006
essa noite sonhei
então freud disse pra tentar interpretar.... e o que eu acho de tudo isso é que........
sou adulta... é, adulta.. virei uma adulta amargurada porque nem ligam mais pro sabor de sorvete que eu acabo no prato.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
quinta-feira, dezembro 07, 2006
exército
se é porque eu sou realmente ruim,
ou se é o instinto perfeccionista.
terça-feira, dezembro 05, 2006
radioplex
homens-passarinho,
putas se dando,
e eu..?
só existo de fininho.
então é que fico pensando,
e invento musas e poetas:
faço-os meus enquanto ando.
essas vidas que não são minhas,
se escrevem pelos meus delírios,
retratos vagos de traços e linhas,
anônimos por definição.
borrão inadequado,
por persistir nessa cidade lúcida,
mais de mil léguas cansadas,
mais um grito rouco na esquina.
e se é pouco,
o que deles sinto.
talvez tudo seja ainda,
é por isso que minto.
segunda-feira, dezembro 04, 2006
atribuído
era eu olhando para um espelho branco
brandas dores do parto
era um quadro
era um dorian gray
era um rococó neo expressionista
era o meu eu mais gay
pura descontrução
juba de leão ruiva vasta
e um resto que eu conhecia
achei bonito.
bíblico
(sobe um tom)
precisamente nas noites que transtorno vira obsessão, trazendo a insônia como um presente de mil verbos: como um bule de chá preto, como uma dor de estômago, como não ter um amor. são raros minutos de se mastigar a própria companhia, e a própria ausência. - ela não acreditou da penúltima vez que lhe disse (por mais que tenha me convencido do exato oposto), mas acreditou na última. e me deu um abraço de anos.
sexta-feira, dezembro 01, 2006
faz
fazendo-me mulher
em vestidos rodados e flores
que eram só pra ti
fazendo das minhas linhas
vírgulas
sozinhas
para que possam ditar meu ritmo
é que quando mais preciso
as subtraio do meu gesto
e transformo a presença
em branca desnuda ausência
pois bem quando não me faço mulher
dessas que só choram as dores do parto
bem quando me faço em pedaços
é que de ti só resta
a branca desnuda ausência.
quinta-feira, novembro 30, 2006
prisma
Eu sou as milhares de veredas que não levam a lugar algum.
Eu sou cada caminho que além de suas curvas guarda novas promessas.
Eu sou o medo, de nunca chegar a nenhuma parte.
Eu sou o fim no meu próprio cerne,
e tenho nesse fim a morte.
Eu tenho a alma desvairada,
que sobe pelas paredes com as unhas mal cortadas.
Eu tenho a alma perdida,
que calma vaga por essas brumas.
Eu tenho para cada passo em vão um sonho perdido.
Tenho a indigestão do ócio,
a amargura do tédio,
e as cólicas da solidão.
São todas minhas as esquinas perdidas pelos reflexos.
Mas não,
não sou nada.
Nem Fernando, nem pessoa.
Não ouso ser nada.
Não ouso ter nada.
Além do labirinto,
nessas curvas miseráveis.
Não há nada além disso,
nem uma migalha, não há um resto,
sequer,
que deforme o labirinto nos espelhos.
quarta-feira, novembro 29, 2006
ne me quitte pas
e então já se passaram dias e seu corpo tomou a forma da cama. a pele mole, o suor acumulado na camisa. o desespero alimentado. aí alguma coisa acontece. começa a chover estrondosamente. seu pai aparece com um taco de beisebol. ou você está a um passo de bombar na faculdade. e então você se levavanta. e o mundo é frustante.
segunda-feira, novembro 27, 2006
tupperware
todos meus pelos gritavam,
tudo em mim pedia morte,
imediata, coerente.
não..
minto.
olha, é difícil explicar sabe.
não posso dizer que não houve,
que aconteceu tenho certeza,
foi a ordem dos fatos entende?
teve o frio úmido,
(mas ainda não tenho a certeza ímpia de que o frio era
ausência de calor.) tem desses por aí também.
e tem outros.
mas isso foi antes, e foi depois também.
entre o frio, teve um calor,
úmido também, que fazia as costas pedirem socorro. dessa vez.
(aí foi um entre, mas foi um entre antes).
daí no fim foi o frio de novo,
mas outro. não de clemência,
mas de lembrança.
esse aí nem doeu não.
sábado, novembro 25, 2006
do meu lado
soma irrisória de acontecimentos,
dias seguidos, intercalados por noites,
vazios - úmidos.
de repente já nem era mais real,
mais uma questão dessas de viver agoniada,
um quase nada,
seguindo o fluxo constante dos segundos.
suspeito que esse andar assim,
não leve a lugar algum.
sei que o transtorno da melancolia
é porque teimo em não escutar.
seja o patético ímpeto da alma,
ou ainda a famigerada vivência dos poetas.
acabo por me tornar uma viciada em solidão.
terça-feira, novembro 21, 2006
hare rama
e as pessoas iam ser o melhor delas.
e elas pensariam coisas belas, simples e profundas de monte.
e não seriam fúteis (mas tão fúteis como o são).
e não ligariam pra coisinhas pequenas como formigas,
(mas ligariam pras formigas.)
e a paisagem seria tão bonita que era alimento.
e todo mundo era gentil,
pra pensar em todos com carinho,
com calma.
porque eles iam se dar o tempo de ser.
iam todos ser juntos.
e daí eu descobri que esse lugar existe.
quinta-feira, novembro 16, 2006
lira
de quase nada,
do que veio depois,
do que veio antes.
de quase tudo,
eu não sei nada.
do que veio antes do depois,
e que foi depois do antes.
eu não sei do tempo, nem do erro, nem da morte, nem de sartre.
eu não sei dirigir caminhão, andar só com as mãos, ou ouvir um não.
sei só o saber
do melhor é não saber.
segunda-feira, novembro 13, 2006
domingo
massa cinzenta.
lentamente tomando consciência de si mesmo. costas doendo, uma vida inteira nas mãos:
-não é possível voltar a viver assim, repentinamente assim. - pensou num ímpeto inexato, com a cabeça baixa para que não vissem as lágrimas que, de qualquer forma, não estavam ali.
saiu
escoltado pela multidão.
perdia-se de si, e voltava a regurgitar pensamentos:
sussurrou amargurado, repetidamente, rendeu-se, lacônico. mesmo achando que eles nunca compreenderiam o sentido daquilo tudo. não, definitivamente não entenderiam. era um silêncio que nem ele mesmo ousava saber de todo.
apressou os pés, e voltou-se para o seu disfarçe. um homem tocava tranversal, o outro desenhava retratos, a chuva rala caía, e era noite. tudo se encaixava nos gabaritos da sua solidão. pensava, desleixadamente, queria um gravador para poder captar e destruir toda a graça dos fluxos de consciência.
espreguiçou-se lânguido na poltrona vermelha. um jazz distante, talvez do vizinho de baixo, os cigarros que ele já não fumava a anos. podia finalmente ser o jornalista desiludido, vendo os carros passarem com desespero através da persiana decadente comprada na 25 de março.
quedaria-se, em instantes, na cama, vencido pelo cansaço, perdendo mais uma madrugada em que ele poderia ser ele, um ele-eu, um gato, e mais outro gato que era a noite-tão-tarde: dois vagabundos insones.
sonharia um sonho branco, leitoso,
no final das contas acordaria e, quem sabe, seria mais uma vez o ainda ingênuo e pequeno, e pastoso, e piedoso, eu, que apesar de tudo
(todo o peso do tudo)
ainda achava divertidas as formas retorcidas das nuvens.
quarta-feira, novembro 08, 2006
depressão (II ou III)
parece que tem uma nuvem pentelha te seguindo o dia inteiro, apontando as coisas ruins, mas é que se você for ver bem elas nem são ruins, é um puta troço perverso sabe. fácil perder o prumo, dormir até que ninguém mais ouse te procurar. não dá pra parar de se achar um merda e pensar que ninguém gosta de você, acreditar nisso nesses instantes é bem dolorido cara. isso aí é trabalheira de racionalização todo dia, pra não se enganar. meu medo é que não seja mentira, e a minha mentira é achar que não é verdade.
segunda-feira, novembro 06, 2006
caverna
tenho em mim todos os medos do mundo.
estando ali, e não estando,
enquanto você fala, eu ouço.
é um leve desconforto de não ter coragem de enfim,
ser-se assim.
nem coragem de olhar os olhos,
de aninhar braços,
de ouvir um não.
de todos os meus medos,
o pior.
menina, você é melhor do que eu.
quarta-feira, novembro 01, 2006
miojo
domingo, outubro 29, 2006
oxalá
mentira.
décimo quinto andar
sexta-feira, outubro 27, 2006
like a roling stone
folículo
quinta-feira, outubro 26, 2006
segunda-feira, outubro 23, 2006
inocência
só sei sentir as coisas nas mãos,
digo,
extravasando pro algo mais.
sexo, arte, ou berro,
matando dias a grito.
sábado, outubro 21, 2006
lapela
Mas giraríamos, e talvez nesse lusco-fusco, permitiria-se ser menos tu do que usual, entregaria-me mão, e seio, e virtude, como as flores que faço girar e girar. E por último, desespero cândido, tontura da sede que te provoco, daria-me tua liberdade, o mais belo, para que possa devolvê-la enfim intacta.
peixe
a primeira, ao redor é uma releitura, frequências e ritmos cambaleando no pensamento.
a segunda, o vejo com o que não deixo de saber, e não vivo a vida que vivi nos livros. descamuflando o pensamento, por vezes, torna-se como foi ontem, e o é raramente, ver-te assim pura e sem projeções infames. vida na essencia, eu estar assim, olhando pra você, se dando assim, é sentir a intensidade mais densa dos pequenos gestos.
sexta-feira, outubro 20, 2006
labirinto
deixo pro nicolai todo o alcool que eu não bebi,
todos os cigarros que não me mataram,
e todas as ressacas que eu evitei.
pro bruno tudo o que eu não escrevi,
e pra juba todos que não amei.
sabe o que que é?
eu perdi o medo.
quarta-feira, outubro 18, 2006
domingo, outubro 15, 2006
meia lua inteira *
toda palidez nua.
muda em sua loucura.
lunática
sem cura.
a lua muda em lua,
quarto minguante
nunca sua.
a andar perdida nas ruas.
*reprise
água ardente
homem pálido esquálido, segurando lança de ponta, contra os ímpetos insaciáveis das visceras. tudo isso acontecendo, enquanto dormia no meu colo.
sábado, outubro 14, 2006
sombra
ele não existe,
mas me controla.
solidão é uma ilusão,
não sei mais bem que música,
me diz que é melhor ser feliz sozinho.
contrasta a compulsão,
que é ainda achar beleza no mundo.
cambaio
quinta-feira, outubro 12, 2006
vazio
terça-feira, outubro 10, 2006
piegas
macrobiótica
sou eu
o todo é o meu resto.
cindido mundo ao meio
todas as metades são inteiras
construções erradas são
laranjas ou não
minhas preferidas.
domingo, outubro 08, 2006
sábado, outubro 07, 2006
olhos de vidro
o importante é manter o espírito livre,
garantia é olhar fundo nos olhos.
quarta-feira, outubro 04, 2006
terça-feira, outubro 03, 2006
esqueça
segunda-feira, outubro 02, 2006
domingo, outubro 01, 2006
nhoque
metades absurdas e tímidas,
ora prefiro o não, ora prefiro o fim.
maltratam-me os meios carinhos,
a frieza úmida da noite,
e essa atravessada saudade.
busca incessante
se inexistem razões
metafísicas ou conscientes.
em mim tua ausência
arde como
não há liberdade - sua presença.
sexta-feira, setembro 29, 2006
peter pan
escorpião
o meu silêncio é uma terra fantástica, eu invento a solidão num copo de uísque, e não tenho medo das minhas criaturas incríveis. silêncio faz sentido. olho mudo pra fora, é como se o mundo não existisse dentro de mim.
quinta-feira, setembro 28, 2006
samba
vestido de organdi amarelo,
banhada e asseada,
na sua varanda.
o rapaz vem todo lindo,
tocava violoncelo,
margarida na lapela,
esqueçe o dia, e anda.
os dois seguem seu samba,
calado e receoso,
enquanto ele pensa, ela canta.
mas de noite quando dormem os pombos,
ela sonha com eles e ele sonha acordado,
com muito cuidado pra não acordar os vizinhos.
quarta-feira, setembro 27, 2006
segunda-feira, setembro 25, 2006
erosão
apesar de tudo cedo aos ímpetos.
acordo cedo,
as primeiras luzes da manhã
são certas.
agarro sua mão com toda a força
e dor que tive,
(luz inevitável).
desenho a parede com resquícios,
os medos,
e além do nada que me resta,
a rejeição, profunda e branca.
sábado, setembro 23, 2006
infância'
tão cabeludos e safados,
infernos de bitucas de cigarro,
putas loiras, cintas ligas, e guitarras.
não tive outro jeito de lidar com a coisa,
senão gostar também.
sexta-feira, setembro 22, 2006
leãozinho
respondeu-me que eu era - superficial.
escancarado
digo que o erro é ingênuo.
o tango,
e os casais,
eram a vida
em homenagem.
segunda-feira, setembro 18, 2006
um beijinho e um tapa
circular teu infinito
pequenos avisos,
surpresas de raspão.
inverso ao carinho,
ao desejo, ao calor.
tudo pra desvirtuar o sentimento,
de baldes de idealizações
pra uma poçinha de nojo.
domingo, setembro 17, 2006
do mar
quinta-feira, setembro 14, 2006
sintomático
se ela decidisse simplesmente ser estaria tudo bem.
mas há ainda a esperança de que ela passe,
e então é insuportável.
é algo ligeiramente puro, ainda,
que impede o niilismo completo.
esperar ansiosamente algo que nem nome tem,
sequer forma.
queria saber o nada como um todo,
pois se não todos os dias serão fugas.
brio
terça-feira, setembro 12, 2006
flashback
é mentalizar o momento em que devolvia os filmes de fellini logo atrás da trançinha por baixo da lã azul claro.
(o jeito cândido como fingia não percebe-la, por vergonha ou pudor).
aquelas janelas perigosas do segunda andar, em que da mesma maneira ria e desviava o olhar, sabendo no fundo, mesmo assim, de tudo.
- costurando túneis, acabou só, e pálida.
como a flor em sua mão, esquecida há horas.
domingo, setembro 10, 2006
carne de sol
o ócio virar procura
queria leva-las todas
as palavras à loucura.
se soubesse sabe-las a samba
soma de carne com mulata
viraria só batuque.
se do nada fizesse susto
quem sabe depois de uma cachaça
não houvesse mais
nem tino nem dor
e nem sarro.
só
encostado na cadeira velho e maltratado
o tal sorriso demente.
tosse
e disse
são os pulmões e o fígado
estava tudo muito claro.
ainda bem que
(eles ensinam lá na escola)
é tudo psicológico.
sábado, setembro 09, 2006
bertioga
réquiem
ele, magro, mais os cigarros.
eu, ao seu lado,
mais as cervejas.
uma manhã nua,
acordando no espelho,
e ele acordando meu pescoço,
nós dois um quadro nu.
feitos de desesperos e dores,
percebidas tarde demais,
de perdas e ganhos.
vai cada um pra um canto,
desfalecendo num canto,
cheios de desilusão.
sexta-feira, setembro 08, 2006
desencontro
- o que que há? - queria olhar nos seus olhos.
- vai ver não é nada.- e andou para o outro lado.
no resto da noite não parecia tão triste, levemente só talvez, e não olhei em seus olhos sequer uma vez.
talvez suas atitudes patéticas a afastaram tanto assim, talvez suas mãos e seus olhos cedentos nada adiantariam vez alguma, talvez todo o carinho tenha se desvanecido assim, não mais que de repente.
meu
entrou no banho e os pingos a batucaram o chão, essas horas são como tambores africanos, tum, tum, hipnóticos. azulejos brancos, a luz da manhã. - sabe, todo mundo sempre acha uma porrada de gente idiota, mas quase ninguém se acha idiota, menos quando tá com depressão. cadê esses caras então? vai ver sou eu, seguindo a teoria das probabilidades é bem possível. - mas não, sabia que não era idiota, dessa vez não com toda a certeza, mas 3/4 dela garantida. foi imbecil, isso é claro, mas nada definitivo.
quinta-feira, setembro 07, 2006
só companhia
tinha algum tipo de liberdade barata em andar só por essas ruas conhecidas, algo de fantástico na anonimidade de um olhar de soslaio pras bundas nas bancas de jornal. assim construía seus personagens, limpando maças na lapela, acendendo cigarros operários na contramão. de banderas almodovariano à orfão parisiense num quarteirão.
saiu dos seus sonhos como quem acorda, ao ver ao longe o vislumbre da menina. ainda contava os segundos para que ela o reconheçesse, os instantes em que ela ainda era ela mesma.
liberdade das coisas
dentro de cada coisa,
ao passo das transcendências possíveis,
há a liberdade (de si).
para a dor, há a cura,
(branco, preto, e cinza)
pro vazio, a loucura.
se trata da liberdade das coisas,
todas elas tem a sua,
(é só olhar fundo o bastante).
todo instante tem em si,
o completo em potencial.
segunda-feira, setembro 04, 2006
quase
exagerar a esquizofrenia pra fingir a desilusão.
o vento cortanto a cara fica mais fácil chorar,
e meu corpo que repugna tanto álcool,
que morre de sede,
e por dentro se contrai,
achando que amargura é pecado.
domingo, setembro 03, 2006
minduim
atravessando o supermercado,
amigo antigo, de barba e responsabilidade.
não nos conheçemos,
nem as esquinas traçadas nos últimos tempos,
mesmo que saibamos beber umas cervejas em silêncio.
cheio de chaves balançando nos bolsos,
junto com as moedas.
as idéias nem tantas,
mas pra isso ninguém mais tem tempo.
nostalgia de chá da tarde,
em plena madrugada.
delimitado
só porque eu não consigo sublimar de outras maneiras.
sexta-feira, setembro 01, 2006
de noite na cama
quinta-feira, agosto 31, 2006
barroco mineiro
quarta-feira, agosto 30, 2006
dois nacos de algodão
duas nádegas durinhas,
o desprezo de um cigarro na varanda.
me despojo da amargura pra comer seu cu.
(como os russos, pura pulsão).
falo em porcos e penso na minha mãe.
os valores morais perdi no vietnã.
domingo, agosto 27, 2006
som do vento
de certa maneira outra
corpo frio de febre
à flor das flores
chamei
em vão
minha
poesia
mono
sílaba
uísque na mão.
espiral
não quero estar em parte alguma,
(metonímia).
nem lembranças,
e limites.
talvez se fosse temporário,
então seria fácil.
solidão absoluta.
sábado, agosto 26, 2006
chamá-la ei de flor amarela
enquanto a comia com os olhos, enquanto consumia-a em labaredas insanas de lúxuria nada cândidas. soube que enfim, esse ser do pó, da lama, do desejo puro e mal carpido, da guerra, da fome, e do vício, esse ser da morte, não é nada além de puro, como puro são seus erros.
e nunca me esquecerei
terça-feira, agosto 22, 2006
as prostitutas e eu
- você quer comer a minha batatinha?
- puxa vida, só vou comer a sua batatinha..........
- então engole em dez minutos que eu te dou uma carona..
- cê me ajuda a engolir?
só desilusão
segunda-feira, agosto 21, 2006
dias + dias são meses que ninguém viu
que o açucar não anula os danos do sal.
controle sua amargura rapaz,
ela não é nada pra ninguém,
nem matéria literária,
de um texto sem autor.
zero não é vazio
psicosomático,
doente da civilização,
deito no silêncio pra curar as chagas.
ledo engano,
não é o corpo que não acompanha a passionalidade,
é a alma que não acompanha mais nada.
(deito no silêncio como orvalho, deixo derreter como rio, a pele.)
sou pouco sem contar o infinito,
mas ainda sigo,
quando tudo é impossível.
sexta-feira, agosto 18, 2006
batata
tragava o fumo, e olhava o quadradro branco da janela,
qualquer um acreditaria ver james dean.
a menina ainda dormia, pesado e sem a menor elegância.
olhando a figura opaca através da fumaça pensava
"há dois tipos de garota,
as que perdem a graça quando dormem,
e as outras."
somos todos grandes filósofos.,
principalmente pela manhã.
mas não importava,
ele nunca se relacionava com garotas,
ele simplesmente duelava com seus próprios conflitos,
a frieza, as prisões, as distâncias,
antes de tudo o amor,
eram uma forma de garantir a maldição.
antes que ela acordasse partiu para rua,
seu jeans, seus olhos, o chão, a fumaça, o café,
manifestações da massa putrefata.
sua juventude tinha vida útil,
do último café até a próxima úlcera.
perdido em pensamentos niilistas e ordinários,
como bem desejava sua poesia maldita,
fechou sua braguilha aberta.
quinta-feira, agosto 17, 2006
baiacu
nada melhor do que um solzinho nas ventas pra matar os micróbios.
no outro banco do pátio escuto sonzinhos mortos de bocas,
beijinho, beijinho, olho pra menina,
ela num consultório médico,
33...
33..
beijinho.....
que horror essas meninas de hoje em dia,
pede pra vovó botar viagra no canjão.
outros passos, seguro minha ânsia pra dentro da calça,
dois meninos discutem a racionalidade e o comunismo,
deus ateu, me salve desses reacionários..
blasê... blasê.. pois não? como não!
terça-feira, agosto 15, 2006
batuta
de tudo somos um tanto,
nos olhos-espelhos que temos.
sou também o leão do mágico de oz,
e preciso de coragem.
se tivesse alguma,
investiria no bovespa.
domingo, agosto 13, 2006
cérebro eletrônico
vejo nos olhos que mudam de direção,
na boca que se sacia e murcha.
os ossos estão duros,
a carne putrefata,
e a solidão imensa.
a noite engole os vícios,
e te deixa caminhar sozinha,
nunca foi tão claro.
ninguém vai conseguir te alcançar.
sexta-feira, agosto 11, 2006
deltas de vênus
não, não quero seu amor.
a maior homenagem é o silêncio,
testemunhando cada um.
de que valem sonhos e copos de cerveja?
se você não sabe como todo dia eu canto no banheiro,
os trantornos bipolares, os vícios de linguagem,
as cicatrizes.
descubra minhas pintas,
descontrua meu passado.
e aí sim,
terá verdade no que eu digo.
quinta-feira, agosto 10, 2006
nevasca
de vestido verde,
e trançinha.
passava na minha frente no bar,
todas as vezes necessárias,
pra ainda me deixar longe.
eu sei que eu sou uma criança,
me contentava em ver suas costas,
e seu homem do outro lado da mesa.
ína, da heroína,
seus olhos pedrinhas,
não consigo proferir palavras em sua presença.
queria um dia,
dar um teco
da tua frieza.
queria um dia,
quando largar mão do barbicha,
que sejas minha farinha.
segunda-feira, agosto 07, 2006
domingo, agosto 06, 2006
razão
a menininha e os lobos
mas é mais fácil postar no horizonte.
pra nunca mais me sentir vazia,
eu finjo,
que nunca terei o que espero.
tão mais leve fingir que sentir,
sentir marca, pesa, e... desaparece.
faço-me de espectro então,
plenamente nada,
porque tenho medo.
(tenho tanto, que até com o medo me assusto).
não sei,
só sei que preciso de uns braços, e umas pernas,
ao menos uma mão que me ajude,
a descobrir essas pedras do caminho.
sábado, agosto 05, 2006
morning
destruir o super-ego,
e se transformar numa massa porosa do etílico,
nada melhor que uma coca-cola.
quarta-feira, agosto 02, 2006
terça-feira, agosto 01, 2006
aeroporto
é dura e sua feiura não é nada encantadora.
assim, não me aparece melhor alternativa do que sentar e escrever
- lotar de adjetivos essa tal de civilização,
vira-la de lado, de baixo, de todos os ângulos sórdidos.
ir perseguindo como uma miragem os melindrosos instantes do conjunto, numa tentativa ensandecida de torná-la encantadora.-
talvez só tente resguardar a repugnância,
que tenho ao mundo,
como veio ao mundo.
talvez a poesia seja só uma esperança,
de que a poesia realmente exista.
pela janela
que em algum lugar entre a escuridão e a escuridão,
esteja o horizonte.
mas no que penso...
tenho certeza.
(tenho a lógica dos poetas)
afinal,
estrelas não são nem de mercúrio, nem de sódio.
sexta-feira, julho 21, 2006
ilusões
foi um crime premeditado,
e já não sou réu primário.
equações são assim,
perfeitas e dedutíveis,
é só por um pouco de vinho.
depois olhe para o lado,
e vai passar a vida,
e mais uma vez você não percebeu,
confundiu como um tolo,
as entrelinhas com o contexto.
veloso
entre um gole e outro, vendo atráves da lágrima e do gosto, nos livros que dizia e nos países que visitara. amei-o enfim, por um dia, e bastara.
quinta-feira, julho 20, 2006
de(fin)itivo
.do som que faz o som da luz.)
-dentro de alguns anos não lembrarei de você-
foi o que disse.
mas não se sinta culpada.
pode ser só o meu vício.
disse e saí andando, sob os olhos as conhecidas negruras. uma espécie de graxa que ataca como sinusite, te faz ver o mundo com dor. contei os passos, 627 deles. e então pinga morte desolação. e uma mesa quebrada.
restou-me o gorfo, e a bronca do tfp. o mundo e suas paredes de aço.
meus dentes estão amarelos, tenho olheiras na pele pálida.
nada é real por aqui. não sinto as coisas reais. só as metafísicas.
um sufoco.
(comida macrobiótica, índia, injetar penicilina, ter filhos quiçá.)
e ele disse para os esquecer.
ingênuo.
quinta-feira, julho 13, 2006
tarja preta
declama neruda, discute rimbaud,
e me parece tão pouco.
antes eu tava encantada,
e queria dizer das coisas que via,
e escrever, pensar mil coisas.
mas foi apodrecendo,
de dentro pra fora,
uma coisa meio idiota,
acabei só vendo hipocrisia e miséria do lado de dentro das coisas.
e as coisas encantadoras,
que me faziam sorrir de graça,
essas perdi no meio do caminho.
panis et circenses
quarta-feira, julho 12, 2006
eu-lírico, cidadão do mundo
meu nirvana encarnado não se encontra tão longe.
me lembro da meninice, um velho careca magro e funcionário público,
atrás de uns livros que chamavam "para gostar de ler".
pra mim, no máximo, ele preenchia formulários,
mas aquele homem, meu deus, dizia coisas tão belas, e tão próprias.
quando o leio percebo, toda santa vez, que quem escreve não é o careca velho, não tem nariz, nem sequer boca (por mais que as vezes afirme o contrário).
sabe, escrever é a transcendência absoluta.
domingo, julho 09, 2006
hipocrisia
- psicologia.. letras.. cinema... tanto faz..
(não aguento mais essa pergunta)
- é?..
- é...
(cara de brava pro cara ir embora)
- então... mas tanto faz?
- tanto faz..
(você ainda não entendeu, narigudo?)
- e porque?
- porque eu amo o gênero humano
turquesa não é verde
textos correlatos: http://marromaocontrario.blogspot.com/2006/07/turquesa-no-verde_09.html
http://2serelepes.blogspot.com/2006_07_01_2serelepes_archive.html
obs: no ultimo link é o ultimo texto, e sim, eu sou uma merda com truques tecnológicos.
sexta-feira, julho 07, 2006
as palavras
se somadas, além de símbolos, são imagens. às vezes formam poemas de namorados, (e então é difícil entender a relação entre o contraste no papel, e uma vertente de lágrimas), tratados de direito, ou receitas de cozinha. são, antes de tudo, isso: o breu no absoluto do vazio.
quinta-feira, julho 06, 2006
blasê
pois não te chamei pra dançar.
o meio beijo que eu não te dei,
mesmo não faltando gim.
meio vazio, meio cheio,
prefiro meu dia assim.
te gosto só pra mim,
não é pra você não.
no ar do pulmão,
pro sangue,
escarrado na noite fria.
sangue escuro, fogo fátuo,
não é amor, não é carinho,
antes de tudo,
é ócio demais.
terça-feira, julho 04, 2006
blocos de lego
flutuava no piso aqui de casa.
era flautista auto-didata,
espalhando melodia sem dizer nada.
antes de tudo girava,
através dos nomes, e das datas,
respirando liberdade,
meu carinho costumava ser de graça.
segunda-feira, julho 03, 2006
nelsinho da cor do verão
meio intelectuais-meio de esquerda,
a juventude trans-viada.
põe o menino na cadeira do cinema,
escuta uma salsa francesa.
logo se acotovela nas filas da falocracia,
coloca um laço na cabeça, e sai dançando na augusta.
enche a cara de mortadela, e vai velar os mortos na consolação.
tá apaixonado, mas só sente tesão,
com um salsichão.
assim que é bom,
assim é cool,
com o cu na mão.